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26/02/2010 - 10h18

Zelaya afirma sofrer perseguição política em Honduras

Por Manuel Jiménez

SANTO DOMINGO (Reuters) - O ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya afirmou na quinta-feira que o governo e o Ministério Público do país planejam medidas de repressão e perseguição política contra ele e seus seguidores, em represália pela exclusão hondurenha da recente cúpula latino-americana no México.

Zelaya, derrubado por um golpe militar em junho, a poucos meses do fim do seu mandato, disse em nota divulgada na República Dominicana, onde está radicado, que o presidente Porfirio Lobo e o procurador-geral se reuniram no fim de semana e decidiram recrudescer a repressão política, violando um acordo firmado em janeiro.

"Hoje, os mesmos coautores do golpe que se mantêm em seus cargos se unem contra os ex-ministros de Finanças e da Presidência e contra mim, em ações de clara perseguição política", disse Zelaya.

"Continuam em seus cargos os coautores do golpe de Estado, o procurador-geral que participou ativamente (do golpe), os magistrados da Corte Suprema... manipulando as leis e a Justiça, solicitando ordem de captura por atuações no marco das minhas funções, pelos atos administrativos que não representam nenhuma dúvida sobre a transparência e total moralidade", acrescentou.

De acordo com ele, "estas ações são represálias equivocadas como resposta às posições dos Estados latino-americanos na Cúpula do Grupo do Rio, que não deu participação ao governo de Lobo em tal reunião."

Vários países latino-americanos, inclusive o Brasil, não reconheceram a eleição de Lobo, em novembro, por considerarem que o pleito havia sido organizado pelo governo de facto que substituiu Zelaya após o golpe. Por isso, Honduras está temporariamente suspensa das reuniões regionais.

O ex-presidente criticou o procurador-geral por "não ter apresentado nenhum processo contra os que deram o golpe de Estado e contra nenhum dos que violaram os direitos humanos, cometendo assassinatos, torturas, agressões e repressão."

"Agora, na reunião do fim de semana com Lobo, ele aceitou recrudescer a perseguição política, desrespeitando o acordo firmado com o presidente Leonel Fernández, da República Dominicana", acrescentou.

Depois de ser deposto por causa de sua tentativa de alterar a Constituição para disputar um novo mandato, Zelaya foi mandado para o exílio forçado, mas voltou clandestinamente a Honduras em setembro e se refugiou na embaixada do Brasil até o dia da posse de Lobo, quando o acordo com Fernández permitiu que ele se transferisse para Santo Domingo na qualidade de "hóspede" do governo local.

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