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27/02/2010 - 18h55

Justiça colombiana rejeita segunda reeleição de Uribe

Por Patrick Markey

BOGOTÁ (Reuters) - Quando foi eleito pela primeira vez em 2002, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, prometeu subjugar militantes armados e voltar a atrair investimentos a um país dado como Estado falido mergulhado na violência.

Após quase oito anos no poder, o advogado soube na sexta-feira que os esforços para que sirva um terceiro mandato falharam.

A Corte Constitucional da Colômbia rejeitou uma tentativa dos aliados de Uribe de emendar a lei e permitir que o mandatário permaneça no cargo por mais quatro anos. A sentença destruiu as esperanças de que o homem que muitos colombianos creditam como aquele que salvou o país do abismo possa governar novamente.

Embora o investimento estrangeiro transborde na mineração e extração de petróleo e os rebeldes estejam em seu momento de maior fraqueza em anos, o conflito de cinco décadas sobrevive.

Apesar de parecer mais um professor do que um líder linha-dura, o estilo pragmático de Uribe durante o conflito com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia fez dele o presidente colombiano mais popular da história.

Sua taxa de aprovação nunca ficou abaixo de 60 por cento, mesmo quando seu governo foi devassado por escândalos.

"Você resolve um problema lá vem mil outros, e é por isso que o governo nunca pode dormir", disse Uribe recentemente.

A violência, os seqüestros e ataques à bomba das Farc despencaram depois que ele assumiu a presidência e iniciou uma campanha com apoio dos EUA para massacrar a insurgência e reabrir estradas que eram alvo da guerrilha.

Principal aliado norte-americano em uma região repleta de governos de esquerda, Uribe confrontou a Venezuela e o Equador em seu segundo mandato depois que tropas colombianas invadiram o território equatoriano para matar um líder das Farc.

Na semana passada, ele enfrentou o venezuelano, Hugo Chávez, trocando insultos com seu colega e lhe dizendo com rispidez que agisse "como um homem".

PAI ASSASSINADO

Nascido em uma família rica em um rancho perto de Medellín, Uribe foi prefeito da cidade e conselheiro antes de se tornar senador e governador. Austero, o mandatário de 57 anos estudou em Oxford e Harvard.

Mas ele criou empatia com os colombianos de todas as classes sociais, talvez por compartilhar uma tragédia pessoal: seu pai foi assassinado duas décadas atrás em uma tentativa frustrada de seqüestro por rebeldes.

Todos os sábados, ele realiza encontros comunitários, onde repreende autoridades locais por falhas em lidar com os problemas da região.

Para seus críticos, esses encontros mostram o estilo populista e autoritário de um líder que dizem conduzir o país como o dono de uma fazenda, é leniente com ex-paramilitares e intolerante com os críticos. Sua segunda reeleição minaria a democracia, dizem eles.

Já seus apoiadores acham que sua abordagem é o que a Colômbia necessita: uma liderança eficiente e realista que não tolera corpo mole. Dizem que ele merecia a reeleição para continuar a transformar o país.

Na véspera da decisão do tribunal, ele afirmou:

"Meu espírito está calmo haja o que houver. Só peço para trabalhar para a Colômbia onde quer que esteja até o último dia de minha vida."

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