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03/03/2010 - 22h59

Hillary não consegue apoio do Brasil contra o Irã

Por Raymond Colitt e Andrew Quinn

BRASÍLIA (Reuters) - A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, não conseguiu obter apoio brasileiro a novas sanções contra o Irã durante visita nesta quarta-feira a Brasília.

Apesar da posição firma da secretária, que disse acreditar que a República Islâmica só vai negociar após receber sanções, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou antes mesmo de se reunir com Hillary que "não é prudente encostar o Irã na parede".

O Brasil atualmente ocupa uma vaga rotativa no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), e diplomatas norte-americanos têm tentado convencer os integrantes desse grupo a aprovarem novas sanções contra o Irã devido à recusa do país em abandonar seu programa de enriquecimento de urânio.

As atenções estão voltadas principalmente para China e Rússia, que têm poder de veto sobre resoluções do Conselho, mas os Estados Unidos também gostariam de convencer membros não permanentes importantes, como Brasil e Turquia, para apresentar uma frente unida no impasse nuclear contra o Irã.

"Só depois que tivermos aprovado sanções no Conselho de Segurança o Irã irá negociar de boa fé", disse Hillary em entrevista coletiva.

"Essa é minha opinião, essa é a opinião do nosso governo: quando a comunidade internacional falar de forma única sobre uma resolução, então os iranianos vão começar a negociar."

ESBOÇO DE NOVAS SANÇÕES

Diplomatas em Nova York disseram à Reuters nesta semana que as potências Ocidentais prepararam o esboço de uma proposta revisada para uma quarta rodada de sanções contra o Irã por desafiar o pedido da ONU para que interrompa o enriquecimento de urânio.

Eles disseram que o esboço foi enviado pelos Estados Unidos à Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China, acrescentando que esses países esperavam manter em breve uma teleconferência, possivelmente nesta semana, para obter o aval de Rússia e China.

Se as potências conquistarem o apoio russo e chinês, as negociações sobre a primeira resolução de sanções da ONU em dois anos poderia entrar em vigor imediatamente.

A reação inicial dos russos foi negativa, disseram diplomatas, enquanto a China deixa os Estados Unidos e as autoridades europeias na expectativa.

O chanceler Celso Amorim reiterou que o Brasil vê margem para mais dois ou três meses de negociações com o Irã.

"Nós acreditamos que ainda há oportunidade de se chegar a um acordo, talvez exija um pouco de flexibilidade de parte a parte", disse ele.

"Não se trata de se curvar simplesmente a uma opinião que possa não concordar. Nós não podemos simplesmente ser levados. Nós temos de pensar com a nossa cabeça."

Hillary manifestou frustração com a posição do Brasil, e disse que as negociações com o Irã já haviam se mostrado infrutíferas. "A porta está aberta para as negociações, nunca a fechamos. Mas não vemos ninguém nem a longa distância caminhando em direção a elas", afirmou a secretária.

Ela exortou países a serem cautelosos com as garantias do Irã de que suas intenções são pacíficas.

"Temos visto um Irã que fala com o Brasil, um Irã que fala com a Turquia e um Irã que fala com a China, e para cada um conta coisas diferentes a fim de evitar sanções internacionais", ela disse.

Uma autoridade norte-americana, falando a repórteres a bordo do avião de Hillary, disse que os brasileiros teriam dito à secretária de Estado que a posição do Brasil não estava fechada e que ambos os países continuariam dialogando.

A autoridade disse ainda que se a viagem de Lula a Teerã, programada para maio, acontecer depois que o Conselho de Segurança votar as sanções, isso poderia "tomar um novo rumo", sugerindo que o presidente brasileiro teria condições de atuar como um intermediário para convencer o Irã a voltar à mesa de negociações.

FINS PACÍFICOS

Lula, que recebeu no ano passado em Brasília o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, tem alertado repetidamente contra a iniciativa de EUA, França, Grã-Bretanha e Alemanha para aprovar a quarta rodada de sanções ao Irã.

Esses países temem que a República Islâmica esteja desenvolvendo armas nucleares, mas Teerã afirma que sua intenção é totalmente pacífica, voltada para a geração de energia e a pesquisa.

Lula afirmou a jornalistas que o Brasil apoia o programa nuclear iraniano desde que seja respeitado esse limite. "Se o Irã quiser ir além disso, o Irã irá contra aquilo que está previsto na Constituição brasileira e não podemos concordar", disse Lula.

Ele acrescentou que pretendia manter uma "conversa muito franca" sobre o assunto com Ahmadinejad em maio.

Também nesta quarta-feira, os Estados Unidos e a União Europeia elevaram o tom da sua retórica, acusando o Irã de adotar uma atitude "provocativa" ao elevar o grau do enriquecimento de seu urânio sem esperar a presença de inspetores internacionais.

Em uma tensa reunião a portas fechadas na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), em Viena, o representante chinês reiterou que Pequim ainda acha que não é hora de novas sanções, segundo relato de um diplomata presente.

Paralelamente nesta quarta, o chefe do Estado-Maior dos Estados Unidos, almirante Mark Mullen, disse que havia "preocupações crescentes" com as ambições nucleares do Irã no Oriente Médio, mas sugeriu que qualquer ação militar "não era o caminho preferido neste momento".

(Reportagem adicional de Louis Charbonneau, nas Nações Unidas, e de Phil Stewart e Adam Entous, em Washington)

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