UOL Notícias Notícias
 

03/03/2010 - 17h17

Preço de alimentos aumenta drama de sobreviventes no Chile

Por Ignacio Badal

CONSTITUCIÓN, Chile (Reuters) - Para os habitantes de Constitución, um povoado chileno arrasado pela fúria de ondas gigantes no fim de semana passado, um saco de farinha de 40 quilos custava nesta quarta-feira cerca de 100 dólares, três vezes mais do que antes do tsunami.

O preço dos alimentos, que triplicou e até quadriplicou em alguns casos, aumenta o drama dos milhares de sobreviventes na faixa costeira do centro e do sul do Chile, que perderam suas casas, seus pertences e, em muitos casos, também familiares.

A situação é desesperadora em Constitución, onde os cerca de 50 mil habitantes choram seus mortos - até agora são 80 confirmados e há centenas de desaparecidos.

Os moradores da cidade, que durante o ano vive da indústria florestal e no verão do turismo, foram testemunhas de como grupos organizados chegaram em caminhonetes e caminhões para saquear supermercados, armazéns e bodegas para revender os produtos no mercado negro.

"Vimos pessoas carregando caminhonetes com sacos de farinha. Num momento gritaram que vinha o mar, que vinha a onda de novo. Todas as pessoas amedrontadas fugiram e eles aproveitaram para ficar sozinhos e pegar todos os sacos de farinha", disse Rosa Poblete, de 50 anos.

"Agora essas mesmas pessoas estão vendendo o saco de 40 quilos a 50 mil pesos (cerca de 97 dólares), quando o mais caro que se encontrava era de 15 mil", acrescentou a mulher, enquanto esquentava água numa panela no meio da rua junto com a família e vizinhos.

Embora a ajuda estatal tenha começado a chegar na segunda-feira em caminhões militares, a distribuição tem sido difícil em termos logísticos, dada a grande quantidade de bairros da cidade e a complexidade de chegar às colinas onde reside grande parte da população.

A lentidão na distribuição ajudou os especuladores do mercado negro, que aproveitaram para obter maiores rendimentos com a catástrofe.

"Os que mais têm são os que mais roubaram para depois vender para nós, que somos os mais pobres, os mais afetados", comentou Roberto Díaz, de 24 anos, que esquentava o mate na rua, junto a uma casa destruída onde foram encontrados dois corpos sob os escombros.

Os prejudicados protestam também pela burocracia, pois as famílias afetadas devem se inscrever numa lista para que os caminhões com ajuda cheguem a seus setores.

Constitución agora é regida por um chefe militar, em razão do estado constitucional de catástrofe decretado pela presidente Michelle Bachelet.

No entanto, a mandatária enviou uma delegada especial para coordenar os esforços civis e militares, junto com os do governo municipal. As prioridades são a distribuição de ajuda, a segurança da população e evitar a especulação.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,71
    3,168
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,12
    68.634,65
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host