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04/03/2010 - 17h56

ENTREVISTA-Hamas diz que Abbas deve renunciar

Por Khaled Yacoub Oweis

DAMASCO (Reuters) - O Hamas pediu nesta quinta-feira que o presidente palestino renuncie, acusando-o de vender "ilusões" aos palestinos em sua ação para retomar as negociações de paz com Israel.

Izzat al-Rishq, uma autoridade do Hamas, disse à Reuters que falta em Mahmoud Abbas um mandato nacional para aprovar quatro meses de negociações indiretas mediadas por Washington, apesar de a Liga Árabe ter dado sua aprovação.

A crítica a Abbas por um membro de alto escalão do grupo islâmico deve complicar os esforços árabes de mediação entre o Hamas e Abbas, da facção Fatah.

A divisão entre as facções enfraqueceu a causa palestina, com o Hamas controlando a Faixa de Gaza independentemente da Autoridade Palestina.

"Mahmoud Abbas tem que renunciar. O povo palestino quer uma liderança sólida que o conduza para os seus direitos nacionais, e não uma liderança que ofereça compromisso após compromisso", disse Rishq, que é membro da direção do Hamas.

"Retomar essas conversas é vender ilusões ao povo palestino e jogar com suas emoções. Dezoito anos de conversas com Israel atingiram zero. O que há de se esperar de mais quatro meses?"

FRONTEIRAS

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse nesta quinta-feira que Israel espera iniciar negociações indiretas com os palestinos na semana que vem, durante a visita do enviado especial norte-americano para o Oriente Médio, George Mitchell.

Autoridades palestinas disseram querer que as conversas mediadas pelos Estados Unidos se concentrem, inicialmente, em definir as fronteiras de um Estado que eles esperam estabelecer na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Rishq disse que os palestinos não estão mais próximos de realizar suas aspirações de independência porque Abbas excluiu a "resistência" como forma de negociar com Israel.

"Se nós não temos opções, Israel será tentado a acumular mais agressão e mais recusas a nos dar qualquer um dos nossos direitos", disse Rishq, que vive exilado na Síria junto com outros membros da liderança do Hamas.

"A decisão de voltar às conversações dá ao inimigo israelense a cobertura para continuar os assentamentos. Não restará mais nada a ser negociado", acrescentou.

Abbas se negou a fazer negociações diretas com Israel até que o país pare completamente de construir assentamentos judeus. Ele considerou insuficiente o anúncio de Netanyahu em novembro de uma moratória limitada.

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