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05/03/2010 - 13h11

Novos tremores voltam a sacudir o Chile

Por Mario Naranjo e Fabián Cambero

CONCEPCIÓN, Chile (Reuters) - Fortes réplicas do poderoso terremoto do fim de semana despertaram os chilenos na sexta-feira, em meio a dados confusos do governo a respeito do número de mortos da tragédia inicial.

O maior tremor alcançou magnitude de 6,6, às 8h47 (hora de Brasília), com profundidade de 33 quilômetros e epicentro a cerca de 30 quilômetros ao noroeste da cidade de Concepción, na região de Bío Bío, segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês).

"Este de agora foi mais forte. Este que começou eu disse: aí vem de novo (o terremoto e tsunamis)", disse Cristián Ruiz, um engenheiro de pesca de 38 anos.

Mas as Forças Armadas do Chile asseguraram que os últimos tremores em Concepción não geraram tsunamis.

"Foi terrível. Os três (tremores) que ocorreram em um curto tempo foram muito fortes. Não sei quando isso irá parar", disse um angustiado vizinho de Ruiz parado fora de sua casa.

Outras fortes réplicas foram sentidas mais cedo em toda a região central e sul do país.

Concepción, uma das cidades mais atingidas pelo terremoto de magnitude 8,8 que sacudiu no sábado o centro e o sul do Chile e que foi seguido por uma onda de tsunamis, vive o sexto dia de toque de recolher, uma medida que visa a evitar os saques.

As autoridades ordenaram a demolição de cinco edifícios danificados.

"A informação ainda não pode ser completa..., mas não temos um relato de danos materiais, exceto óbvias quedas de pedaços de edifícios que já estavam danificados, mas nada significativo", disse o chefe do governo na região de Bío Bío, Jaime Tohá, a uma rádio.

As autoridades chegaram a informar que o tremor de sábado, um dos mais violentos em um século no mundo, e os subsequentes tsunamis haviam matado 802 pessoas, mas na quinta-feira o ministro do Interior, Patrício Resende, informou que havia 279 vítimas identificadas.

Os jornais El Mercurio e La Tercera publicaram que a presidente Michelle Bachelet também reduziu de 587 para 316 o número oficial de vítimas na região do Maule.

Fontes oficiais disseram que o governo cometeu um erro ao incluir na lista de vítimas pessoas desaparecidas, encontradas posteriormente com vida.

Mas a nova cifra oficial parece não refletir o depoimento de autoridades locais, que estimaram a perda de centenas de pessoas, especialmente em zonas litorâneas.

Em meio as réplicas de sexta-feira, Bachelet se reuniu com o presidente eleito, Sebastián Piñera, no palácio presidencial para definir as linhas de ação para a reconstrução depois do desastre.

"A tarefa do momento é atender de maneira mais eficaz as emergências e as múltiplas necessidades dos compatriotas que foram afetados diretamente pelo terremoto e os tsunamis, e isso exige uma coordenação muito adequada entre o governo atual e o que está assumindo", disse Bachelet a jornalistas.

Piñera, que assumirá a Presidência na próxima semana, disse que será necessária uma "profunda reestruturação do sistema de alerta imediato" frente a catástrofes.

Também disse que estuda reformular seu programa para incorporar as tarefas de reconstrução.

Bachelet disse que o Chile, com uma das economias mais sólidas da América Latina, poderá precisar de ajuda financeira internacional para a reconstrução, que levaria três a quatro anos.

Na sexta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, visita o Chile para avaliar os prejuízos, calculados por especialistas em 30 bilhões de dólares, ou 15 por cento do PIB.

A bolsa chilena abriu na sexta-feira pela segunda jornada consecutiva em alta, depois da forte queda nos primeiros dias depois do terremoto, no que os analistas estimam ter sido uma reação exagerada, apesar de que várias companhias industriais foram afetadas pelo devastador terremoto.

(Reportagem de Fabián Cambero, Mario Naranjo e Terry Wade em Concepción; Rodrigo Martínez, Mica Rosenberg em Santiago)

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