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06/03/2010 - 18h00

Inspeção dos EUA encontra problemas na embaixada de Cabul

Por Sue Pleming

WASHINGTON, 6 de março (Reuters) - Um relatório do governo dos Estados Unidos gerou dúvidas sobre o possível sucesso do lado civil da nova estratégia norte-americana no Afeganistão, com diplomatas sobrecarregados sendo levados ao limite na embaixada de Cabul.

A agência de inspeção geral do Departamento de Estado dos EUA, em relatório completado no mês passado e publicado no site do departamento, listou 89 recomendações formais à embaixada, assim como 42 "informais", que vão de uma maior supervisão aos gastos governamentais a uma carga de trabalho mais realista aos funcionários.

"Mesmo com a ágil liderança das autoridades seniores de Cabul, a melhor das intenções, e os mais dedicados esforços, a embaixada de Cabul enfrenta sérios desafios para cumprir o prazo do governo para 'sucesso' no Afeganistão", disse o relatório.

O documento disse que o alcance "sem precedentes" do aumento dos civis -- de menos de 300 diplomatas no ano passado para cerca de 900 neste ano -- e as complexidades de colocá-los no local restringem sua capacidade de promover a estabilidade e um bom governo, que são os objetivos da missão.

"A confiança na embaixada de Cabul foi desafiada pelo estresse de uma troca de quase 100 por cento dos funcionários, o aumento dos civis em um ritmo frenético, a reforma dos programas de assistência de desenvolvimento, a continuidade do grande volume de visitantes oficiais", disse o relatório.

Em Cabul, a porta-voz da embaixada norte-americana, Caitlin Hayden, não discordou do relatório, mas disse que a inspeção foi, na verdade, completada há alguns meses e que a maioria das suas recomendações já estão sendo implementadas.

"Em geral, o relatório é correto nas suas avaliações. Muitas das descobertas e recomendações são similares àquelas encontradas em relatórios sobre outras embaixadas ao redor do mundo", disse ela em um e-mail em resposta à Reuters.

O relatório disse que os diplomatas estão oprimidos, trabalhando 80 horas por semana, muitas vezes até de madrugada, com Washington marcando teleconferências de acordo com o horário de trabalho da capital norte-americana ao invés de em horários convenientes ao fuso horário de Cabul.

Além disso, muitos dos empregados são forçados a desistir do seu único dia de folga por semana, na sexta-feira, por causa de uma teleconferência de rotina organizada por Washington, uma prática que deveria ser mudada, segundo o relatório.

O relatório disse, ainda, que a complexidade de manter a enorme embaixada em Cabul se reflete fora das suas paredes fortificadas, onde a capacidade própria do governo afegão também é limitada.

Há uma tensão entre os objetivos ambiciosos do governo dos EUA, a capacidade da embaixada de desenvolvê-los e o comprometimento de elementos do governo afegão para implementá-los, disse o relatório.

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