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11/03/2010 - 11h59

ENTREVISTA-Parreira defende Dunga: "Jogar para frente e perder?"

Por Pedro Fonseca

TERESÓPOLIS (Reuters) - Vitorioso em 1994 com um time defensivo e derrotado em 2006 quando apostou no ataque, o ex-técnico da seleção brasileira Carlos Alberto Parreira considera "perfeita" a forma de jogar da equipe comandada por Dunga e acredita que o futebol de resultado é mesmo o melhor caminho para levar o Brasil a mais um título mundial.

Com o próprio Dunga como capitão, o Brasil de Parreira conquistou o tetracampeonato mundial na Copa dos EUA com uma equipe que, apesar do título, ainda hoje é criticada por apresentar um futebol burocrático e que tinha na marcação seu ponto forte. Por outro lado, quando formou o chamado "quadrado mágico" ofensivo com Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Ronaldo e Adriano para o Mundial de 2006, o treinador viu seu time ser derrotado nas quartas-de-final pela França.

"Jogar para frente e perder? O Brasil é um time que faz muito gol, toma pouco gol, então está perfeito", afirmou o treinador, de 67 anos, em entrevista à Reuters.

"É um time competitivo, bem fechadinho, bem organizado, sem a bola sabe ocupar os espaços. Hoje as equipes europeias têm dificuldade de entrar no nosso time, tem sempre oito jogadores atrás da linha da bola, e quando a gente ataca sai com muita qualidade", disse o técnico da África do Sul.

Com um sorriso discreto, o técnico não resistiu à comparação: "Uma coisa que eu gosto desse time é ser muito parecido com o de 1994."

Escolhido para substitui Parreira à frente da seleção após a derrota no Mundial da Alemanha, Dunga, ex-volante de marcação firme, implantou em seu time um estilo de jogo semelhante a sua própria forma de atuar nos tempos de jogador. Às vezes atuando até com três homens de contenção no meio-campo, a seleção brasileira passou a jogar mais na defesa e a depender de contra-ataques para marcar gols.

A tática, apesar de contestada por torcedores e críticos que defendem a vocação ofensiva do jogador brasileiro, deu ao Brasil os títulos da Copa América de 2007 e da Copa das Confederações de 2009, e garantiu à equipe vitórias marcantes contra adversários do porte de Argentina, Portugal, Itália e Inglaterra.

"Técnico de futebol deve ser avaliado pelo resultado. O Dunga começou com dificuldades óbvias pela falta de experiência, mas eu estive com o Dunga agora, senti ele calmo, sabendo o que quer. O time está correspondendo no campo e os resultados comprovam isso. Acho que o Brasil chega preparado para a Copa", afirmou.

"SURPRESA DA COPA"

Parreira, que este ano vai disputar sua sexta Copa do Mundo como treinador, iniciou esta semana um período de treinamentos de um mês da seleção sul-africana no Brasil, onde vai realizar uma série de amistosos e jogos-treino contra equipes brasileiras como forma de preparação para a Copa que acontecerá no país a partir de 11 de junho.

Os anfitriões estão numa das chaves mais complicadas da competição, ao lado de México, França e Uruguai, e Parreira terá a equipe à disposição por quase três meses até a estreia no Mundial, contra os mexicanos. Para o treinador, será fundamental uma preparação bem feita para alcançar o objetivo de classificar a equipe para a segunda fase.

"Eles vão vir para cima, então a gente tem que estar bem preparado para suportar essa pressão e saber usar os contra-ataques. Quem está do outro lado quer ganhar da África do Sul, que é o time mais fraco da chave. Mas o grupo pode ter uma surpresa, nós podemos ser a surpresa da Copa."

Desde que reassumiu o time no fim do ano passado no lugar de Joel Santana -- a quem passou o cargo em 2008 por problemas particulares -- Parreira está invicto em cinco partidas, mas com apenas uma vitória. O técnico acredita que a mudança de comando interrompeu os avanços que tinha conseguido na equipe, e que ele agora precisa reconstruir sua forma de jogar.

"A última grande partida que o time fez foi contra o Paraguai, ganhamos de 3 x 0, o time jogando solto, tocando a bola. Se tivesse dado continuidade com certeza o time estaria mais consistente hoje nesse estilo que eu gosto de jogar", disse o treinador, que pretende encerrar a carreira de técnico após o Mundial.

"Volto para o Brasil de vez. Dificilmente vou continuar como treinador, agora quero cuidar um pouco dos meus netinhos, sinto muita falta deles."

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