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11/03/2010 - 10h59

Gregos fazem nova greve contra pacote de austeridade

Renee Maltezou e Ingrid Melander
Em Atenas

Trabalhadores gregos dos setores público e privado entraram em greve nesta quinta-feira, afetando aeroportos, escolas e transportes públicos, na segunda paralisação nacional em duas semanas em protesto contra os planos de austeridade do governo.

Nas ruas de Atenas, alto falantes ecoavam slogans que exigiam que os ricos paguem pela grave crise fiscal do país, enquanto milhares de pessoas participavam de uma passeata contra os cortes no salário do funcionalismo público, aumento de impostos, congelamento das pensões e elevação na idade da aposentadoria.

"Nenhum sacrifício para os ricos!", reclamavam os manifestantes, batendo tambores e segurando cartazes com dizeres como "Aonde foi o dinheiro?".

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Sob pressão dos seus parceiros da União Europeia e dos mercados, o governo grego apresentou na semana passada um pacote de austeridade que, entre corte de gastos e aumento de impostos, resultará em 4,8 bilhões de euros (6,5 bilhões de dólares) para os cofres públicos.

Mas a greve geral de 24 horas pode inviabilizar o plano.

Embora a maioria dos gregos concorde que as medidas são necessárias, há muitas queixas de que o pacote prejudica os setores errados, num país assolado pela corrupção e a evasão fiscal.

"As medidas são injustas... não podemos fazê-las, temos filhos, famílias. Precisamos encontrar o dinheiro para apoiá-las. Bancos e ricos devem pagar pela crise", disse Odysseas Panagopoulos, de 60 anos, que trabalha no setor de saúde.

O pacote de austeridade, destinado a tranquilizar os mercados de que a Grécia tem como suportar sua dívida pública de 300 bilhões de euros, acontece apenas cinco meses depois da vitória dos socialistas em uma eleição na qual prometiam mais ajuda aos pobres, após a primeira recessão em 16 anos no país.

O nível de participação na greve e nos protestos será acompanhado atentamente fora da Grécia. Políticos da UE, agências de "rating" e mercados financeiros saudaram as últimas medidas, mas ainda esperam para ver sua implementação rápida e sem sobressaltos.

"Este governo nos enganou", disse a Zaharoula Toulia, 57 anos, que vive com uma pensão de 800 euros por mês e votou nos socialistas em outubro. "Eles diziam que havia dinheiro. Cadê?"

Sindicatos de categorias como taxistas e garis ampliaram seus protestos nas últimas semanas. A greve de quinta-feira foi convocada pela principal central sindical do setor privado, a GSEE, e por sua homóloga do funcionalismo público, a Adedy, que juntas representam metade dos 5 milhões de trabalhadores do país. A Adedy prepara novas ações em abril e maio.

(Reportagem adicional de Deborah Kyvrikosaios)

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