UOL Notícias Notícias
 

11/03/2010 - 17h13

Setor privado confirma otimismo com 2010 após PIB, mas teme juro

Por Vivian Pereira e Cesar Bianconi

SÃO PAULO (Reuters) - A leve retração da economia brasileira em 2009 e o crescimento no quarto trimestre, em um ano de crise global, validou a crença da iniciativa privada de que 2010 será promissor. Parte da indústria, no entanto, teme que um aumento do juro atrapalhe a trajetória dos investimentos.

Em linhas gerais, associações setoriais consultadas pela Reuters não viram surpresa nos números da economia doméstica do ano passado e ressaltaram que o resultado pode ser considerado um alívio em relação ao resto do mundo.

"Se considerarmos a média mundial, estamos com um desempenho muito melhor", disse o presidente da associação que representa os shopping centers no país, Abrasce, Luiz Fernando Veiga.

O PIB da construção civil, responsável por cerca de um quinto da economia, deverá apresentar expansão de pelo menos 10 por cento este ano, acredita o presidente da associação que representa os comerciantes de material de construção, Anamaco, Cláudio Conz.

"A perspectiva geral é positiva e vale dizer que a construção civil é o setor de maior efeito multiplicador da economia", afirmou Conz, para quem a expansão do PIB brasileiro ficará entre 5 e 6 por cento no ano.

O presidente da entidade que reúne a indústria de materiais de construção, Abramat, Melvyn Fox, lembra que o setor de construção civil foi um dos que mais sofreu em 2009 com a queda da atividade.

A economia brasileira recuou 0,2 por cento no ano passado, segundo dados divulgados na manhã desta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No quarto trimestre, houve expansão de 2 por cento sobre o terceiro e crescimento de 4,3 por cento contra os três últimos meses de 2008. Os dados ficaram em linha com as estimativas de economistas ouvidos pela Reuters.

Todas as atividades da indústria apresentaram queda em 2009, com redução de 6,3 por cento no segmento de construção civil, conforme o IBGE. No quarto trimestre, no entanto, a indústria de construção cresceu 2,5 por cento, beneficiada pelo aumento das operações de crédito habitacional.

O setor de energia, prejudicado no ano passado pela redução da demanda pelas indústrias, também mostra otimismo com 2010.

Para o presidente da associação que representa os comercializadores de energia elétrica, Abraceel, Paulo Pedrosa, a crise beneficiou o ajuste de oferta e demanda de energia. "O soluço que tivemos no crescimento em 2009 ajudou a evitar uma situação maior de estresse, que poderia ocorrer se não houvesse uma descontinuidade no consumo de energia."

"Já estamos observando bons resultados neste primeiro trimestre, principalmente por conta do clima", corroborou o presidente da entidade que reúne as concessionárias de energia, ABCE, José Simões Neto.

O diretor econômico da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) --que chegou a prever uma queda de 1,5 por cento do PIB--, Paulo Francini, estima um cenário otimista, "com exceção de alguns fantasmas, que sempre aparecem".

A opinião é compartilhada pelo presidente da representante das indústrias de base, Abdib, Paulo Godoy, que considera factível um salto de 6 por cento da economia em 2010.

"Os maiores desafios ainda estão voltados à infraestrutura. Um crescimento da ordem de 6 por cento ao ano demandaria um aumento de 12 por cento nos investimentos em logística."

JURO EM DEBATE

Algumas das principais dúvidas, contudo, giram em torno da política monetária.

O economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, disse que o avanço da economia no último trimestre reforça a expectativa de que o juro subirá já na semana que vem, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para definir a taxa Selic. "Mas o aumento de juro não será suficiente para conter investimentos em 2010", ressaltou Sardenberg.

Para o presidente da Associação da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, o aumento do juro inibiria o atual clima de otimismo entre empresários, o que poderia provocar o adiamento de planos de investimento.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, apresentou um estudo nesta quinta-feira ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em que defende não ser o momento para aumento do juro --o que poderia prejudicar a indústria.

Entre os pontos principais, o estudo destaca que a produção industrial ainda está 4,9 por cento abaixo de setembro de 2008 e que o setor investiu no ano passado e pretende aumentar os investimentos em 10 por cento este ano, o que afastaria pressões inflacionárias.

"O Meirelles não poderia nem iria sinalizar nada no sentido de se o juro vai baixar ou subir", relatou Skaf após conversa por telefone com o presidente do BC.

"Se o juro subir, haverá um travamento dos investimentos e do emprego... Seria uma irresponsabilidade. O BC precisa parar de ter receio da demanda", acrescentou Skaf.

(Reportagem adicional de Alberto Alerigi Jr., Aluísio Alves, Carolina Marcondes e Vanessa Stelzer)

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,02
    3,136
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,02
    75.974,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host