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12/03/2010 - 20h47

Duelo retórico entre Israel e Líbano preocupa ONU

Por Louis Charbonneau

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Uma nova leva de declarações agressivas entre Israel e Líbano alimenta temores de que os dois vizinhos estejam se encaminhando para outro conflito, disse nesta sexta-feira o coordenador especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Líbano.

A troca de ameaças "gerou preocupações de um novo confronto", afirmou Michael Williams a jornalistas após falar aos 15 países do Conselho de Segurança sobre o cumprimento da resolução 1.701, que exigiu o fim da guerra de Israel contra o Hezbollah em meados de 2006.

"Esta retórica e esta atitude temerária desobedecem o próprio espírito da 1.701 e é absolutamente de nenhuma ajuda. Já pedi e ainda peço a todas as partes relevantes que desistam de declarações inflamatórias."

Williams disse ter ouvido reservadamente de autoridades israelenses e libanesas que elas continuam comprometidas com a paz.

Autoridades libanesas e sírias têm acusado Israel de querer uma nova guerra no Oriente Médio em meio à tensão gerada pelo programa nuclear do Irã.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse neste ano que Israel não planeja um ataque iminente ao Líbano, de onde o Hezbollah lançou cerca de 4.000 foguetes durante a guerra de 34 dias em 2006.

Recentemente, o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse ao jornal Haaretz que o Hezbollah tem atualmente cerca de 45 mil mísseis e foguetes no Líbano, número superior ao de estimativas anteriores.

"Não precisamos deste conflito, mas se ele nos for imposto não vamos sair correndo atrás de cada terrorista individual, e sim iremos assumir o governo libanês e a infraestrutura libanesa como parte da equação que enfrentaremos", disse ele.

VIOLAÇÕES

O líder máximo do Hezbollah, Hassan Nasrallah, ameaçou no mês passado que a guerrilha xiita irá atacar o aeroporto Ben Gurion, em Israel, se o Estado judeu voltar a atacar o aeroporto internacional de Beirute em uma eventual guerra.

O Hezbollah tem apoio dos governos da Síria e do Irã e participa do governo libanês.

As autoridades de Beirute se queixam da espionagem israelense no Líbano e já detiveram dezenas de pessoas sob a suspeita de espionar para Israel.

Cerca de 1.200 pessoas, a maioria civis, morreram no Líbano durante a guerra de 2006, que matou 160 israelenses, a maioria militares.

Williams disse que a situação na "linha azul" (fronteira monitorada pela ONU) continua calma, mas que aparentemente há contínuas violações da resolução 1.701 por ambas as partes.

De acordo com ele, Israel realiza incursões regulares no espaço aéreo libanês, enquanto o Líbano precisaria prestar atenção ao problema do tráfico de armas, já que Israel e governos ocidentais acusam o Hezbollah de continuar recebendo ajuda militar de Irã e Síria.

(Reportagem de Louis Charbonneau)

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