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12/03/2010 - 18h25

Hillary alerta Netanyahu sobre relações EUA-Israel

Por Andrew Quinn

WASHINGTON (Reuters) - A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, alertou na sexta-feira o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de que seu governo está colocando em risco as relações com os Estados Unidos ao deixar de dar passos reais rumo à retomada do processo de paz do Oriente Médio.

Hillary telefonou para Netanyahu para manifestar sua frustração com o anúncio israelense de terça-feira sobre novas obras em um assentamento judaico em território ocupado, o que provocou constrangimento ao vice-presidente dos EUA, Joe Biden, que fazia uma visita a Jerusalém.

A notícia também pode complicar o início de um diálogo indireto entre palestinos e israelenses, sob mediação dos EUA.

Segundo relato de P.J. Crowley, porta-voz do Departamento de Estado, Hillary Clinton afirmou a Netanyahu que o anúncio das obras era "um sinal profundamente negativo sobre a abordagem de Israel frente à relação bilateral (...), e havia abalado a confiança no processo de paz".

"A secretária disse que não conseguia entender como isso aconteceu, particularmente à luz do forte compromisso dos Estados Unidos com a segurança de Israel", acrescentou Crowley. "Ela deixou claro que o governo israelense precisava demonstrar não só por palavras mas por ações específicas que está comprometido com esta relação e com o processo de paz."

Questionado se o tom da conversa foi de irritação, Crowley disse: "Frustração seria um termo melhor".

Na terça-feira, Israel anunciou a intenção de construir 6.000 novas moradias numa área da Cisjordânia anexada ao município de Jerusalém. Os palestinos reagiram enfurecidos e ameaçaram desistir do processo "por proximidade" mediado pelos EUA.

Crowley disse que o enviado especial da Casa Branca para o Oriente Médio, George Mitchell, e o secretário-assistente de Estado, Jeffrey Feltman, fizeram numerosos telefonemas para líderes regionais, inclusive para o presidente palestino, Mahmoud Abbas, a fim de tentar manter a negociação indireta.

Mitchell deve voltar à região na semana que vem.

Os palestinos viram no anúncio israelense uma manobra deliberada de Netanyahu para sabotar o processo de paz, em que ele provavelmente será pressionado a trocar terras por paz.

Netanyahu disse que foi apanhado de surpresa pelo anúncio e puniu seu ministro do Interior, além de lembrar que nada será realmente construído na região em questão nos próximos anos.

Mas a relação dele com o governo Obama já estava abalada, e Hillary deixou claro que Washington o responsabiliza.

"Aceitamos o que o primeiro-ministro Netanyahu disse, mas pela mesma moeda ele é o chefe de governo israelense e responsável final pelas ações desse governo", disse Crowley.

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