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18/03/2010 - 20h16

Preparação do Chile salvou milhares de vidas, diz geofísico

Em Santiago

A preparação dos chilenos contra os terremotos e o tempo excepcionalmente longo que o tremor de 27 de fevereiro levou para chegar ao seu auge permitiram que milhares de vidas fossem salvas, disse um importante geofísico nesta quinta-feira.

Especialistas investigam por que o terremoto de magnitude 8,8, o quinto mais violento no mundo desde 1900, matou relativamente pouca gente-- cerca de 500 pessoas, segundo estimativa do governo.

O geofísico do Departamento de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos, Walter Mooney, que há 35 anos analisa terremotos na América do Sul, deu crédito ao povo chileno por saber desocupar os edifícios ao primeiro sinal de que o sismo seria forte.

Além do mais, o tremor foi se intensificando ao longo de 20 ou 30 segundos, até atingir o seu auge, segundo ele. Normalmente, isso é muito mais rápido.

"A combinação de entender o risco de um terremoto e o tempo entre o pior tremor e o começo do desabamento salvou muitíssimos milhares de vidas", disse Mooney em entrevista coletiva na embaixada norte-americana.

Ainda assim, muitos chilenos criticaram duramente o governo da então presidente Michelle Bachelet por ter demorado a emitir alertas, ainda assim brandos, sobre os tsunamis causados pelo tremor. A Marinha chilena, responsável pelo alerta, admitiu que errou na sua avaliação.

Para Mooney, outro fator importante no saldo relativamente benigno do terremoto foram os rígidos códigos urbanísticos do Chile, adotados depois do tremor de magnitude 9,5 que matou 5 mil pessoas e deixou 2 milhões de desabrigados em 1960.

O terremoto chileno de magnitude 8,8 foi, por exemplo, 500 vezes mais violento que o de magnitude 7 que ocorreu em 12 de janeiro no Haiti, um país muito mais pobre e precário, onde mais de 200 mil pessoas morreram.

O Chile é propenso a terremotos porque seu litoral coincide com a fronteira, excepcionalmente longa e reta, entre as placas tectônicas de Nazca e da América do Sul.

A placa de Nazca, sobre a qual está parte do oceano Pacífico, normalmente se desloca 8 centímetros por ano na direção da placa sul-americana. Durante o terremoto de 27 de fevereiro, ela se deslocou 12,5 metros, disse Mooney.

Isso gerou três tsunamis com ondas de até 4 metros ao longo da costa, podendo ter chegado a 10 metros em alguns locais.

"O movimento da placa cria os terremotos, faz os vulcões, faz os Andes, o cobre e toda a paisagem bonita que todos os chilenos amam, e as belas praias. Mas tem um preço", disse o especialista.

(Reportagem de Daniel Trotta)

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