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19/03/2010 - 11h42

ENTREVISTA-Blair critica Israel, mas se diz otimista com diálogo

Por Conor Sweeney

MOSCOU (Reuters) - O representante da comunidade internacional para o Oriente Médio, Tony Blair, disse na sexta-feira que espera para os próximos dias o anúncio de um pacote com medidas que levem ao início de negociações indiretas entre israelenses e palestinos.

"Espero muito que nos próximos dias tenhamos um pacote que dê às pessoas a sensação de que, sim, apesar de todas as dificuldades dos últimos dias, vale a pena ter um diálogo por proximidade (indireto), e então que estes levem a negociações diretas", afirmou Blair à Reuters em Moscou, após uma reunião do chamado Quarteto de mediadores do Oriente Médio - EUA, Rússia, União Europeia e ONU.

Blair não quis entrar em detalhes sobre as medidas no pacote. "Penso que isso se tornará claro conforme os dias se desenrolarem, francamente", declarou.

Mas ele afirmou que seria importante que ambos os lados adotem medidas que estimulem a confiança da outra parte. Ao citar as "dificuldades dos últimos dias" ele se referia ao projeto israelense, anunciado na semana passada, de construir mais 1.600 casas para colonos judeus em um assentamento próximo a Jerusalém.

A notícia irritou aliados de Israel e os palestinos, que ameaçaram desistir das negociações indiretas sob a mediação do representante especial dos EUA, George Mitchell.

Blair, ex-primeiro-ministro da Grã-Bretanha e hoje enviado especial do Quarteto, disse que "há uma contínua discussão sobre a construção de assentamentos (...) e obviamente é muito importante que nenhuma parte faça nada que perturbe a possibilidade de fazer a discussão andar".

Para ele, "a única coisa que dará confiança às pessoas de que uma negociação significativa pode acontecer é se não forem feitas coisas que perturbem esse processo, e por isso o anúncio sobre os assentamentos não foi nada útil".

Como primeiro-ministro britânico, Blair foi um dos protagonistas do processo de paz com os rebeldes republicanos da Irlanda do Norte, o que encerrou décadas de violência, em 1998. Um dos principais mediadores daquele processo foi o ex-senador norte-americano Mitchell, hoje enviado da Casa Branca para o Oriente Médio.

Apesar dos reveses, Blair se disse otimista. "Quem já tiver passado por esses processos, e eu passei por isso na Irlanda do Norte muitas vezes, (sabe que) sempre há altos e baixos. Sempre vai ser assim, sempre vai ser turbulento (...). É difícil, mas é preciso prosseguir."

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