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24/03/2010 - 17h18

EUA e Rússia definem novo tratado de armas, diz Kremlin

Por Denis Dyomkin e Ross Colvin

MOSCOU/WASHINGTON (Reuters) - Rússia e Estados Unidos chegaram a um acordo a respeito de um histórico tratado de redução armamentista, disse o Kremlin na quarta-feira, embora a Casa Branca tenha alertado que algumas questões ainda devem ser resolvidas.

"Todos os documentos para a assinatura do Start foram definidos", disse uma fonte do Kremlin sob anonimato. Segundo esse funcionário, os presidentes Dmitry Medvedev e Barack Obama vão decidir em breve quando assinar o tratado.

Em Washington, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que "estamos muito próximos de termos um acordo sobre um tratado Start, mas não teremos um até que o presidente Obama e seu homólogo, o sr. Medvedev, tenham uma chance de falar".

De acordo com ele, "ainda há algumas coisas que precisam ser resolvidas".

Ambas as partes dizem que o tratado, substituindo o último grande acordo de redução armamentista da Guerra Fria, deve ser assinado em Praga, capital da República Tcheca - país que já foi um satélite soviético e hoje pertence à Otan.

Os negociadores há quase um ano tentam encontrar um substituto para o primeiro Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start 1, na sigla em inglês), que foi assinado em 1991 e expirou em 5 de dezembro de 2009.

O novo acordo é crucial para uma reaproximação entre Moscou e Washington, após anos de tensões que tiveram seu auge com a guerra de 2008 entre a Rússia e a Geórgia, aliada dos EUA.

Em julho, Obama e Medvedev disseram que o tratado reduziria o número de ogivas nucleares operacionalmente instaladas para algo entre 1.500 e 1.675 de cada lado. O tratado armamentista mais recente, assinado pelos então presidentes George W. Bush e Vladimir Putin antes de as relações degringolarem, obrigava cada lado a reduzir seus arsenais instalados para 2.200 ogivas nucleares até 2012.

Autoridades dos dois países dizem esperar que uma nova redução estimule outros países a também diminuírem seus arsenais nucleares, além de dar argumentos morais para os EUA contra o programa nuclear do Irã.

A assinatura pode coincidir com o aniversário do discurso que Obama fez em Praga em 5 de abril de 2009, apresentando sua visão de como reduzir os arsenais nucleares do mundo.

Analistas dizem que o tratado interessa a Rússia, já que seu antiquado arsenal nuclear deve cair para menos de 1.500 ogivas em menos de uma década. Além disso, assinar o tratado reforça a imagem da Rússia como potência global e melhora suas relações com Washington.

Mas algumas autoridades do país, inclusive o primeiro-ministro Putin, sinalizam reiteradamente que qualquer acordo deveria envolver concessões dos EUA na polêmica questão da defesa antimísseis. Ainda nesta semana o chefe do Estado-Maior russo sugeriu que seu país ainda não estava satisfeito com as negociações.

Horas antes da declaração da fonte do Kremlin, uma autoridade dos EUA em Washington afirmou: "Conversamos com nossos aliados tchecos e com os russos sobre assinar em Praga quando o tratado estiver concluído."

Essa fonte norte-americana afirmou, sob anonimato, que Praga "sempre foi onde quisemos fazer a assinatura".

(Reportagem adicional de Ross Colvin e Patricia Zengerle)

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