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24/03/2010 - 20h50

EUA minimizam chance de reconciliação no Afeganistão

WASHINGTON (Reuters) - O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, disse na quarta-feira que esta não é a hora certa para a reconciliação com a liderança do Taliban afegão, admitindo que a pressão militar ainda não enfraqueceu suficientemente o grupo.

"A mudança de impulso ainda não é forte o suficiente para convencer os líderes do Taliban de que eles na verdade vão perder", disse Gates durante audiência no Congresso. "E é quando eles começam a ter dúvidas sobre se poderão ter sucesso que eles podem ficar dispostos a fazer um acordo. Não acho que já estejamos lá", acrescentou.

As declarações foram feitas no mesmo dia em que um negociador de um dos principais grupos insurgentes afegãos, o Hezb-i-Islami, disse que seus líderes estavam dispostos a fazer a paz e servirem como "ponte" para o Taliban, desde que Washington cumpra seus planos de começar uma desocupação militar em 2011.

Esse negociador, chamado Mohammad Daoud Abedi, disse à Reuters que a decisão de apresentar um plano de paz foi uma resposta direta a um discurso de dezembro do presidente dos EUA, Barack Obama, em que ele anunciava o envio de 30 mil soldados adicionais ao Afeganistão, mas estabelecia a meta de começar a retirada em meados de 2011.

"Há uma fórmula: 'Nenhum inimigo é inimigo para sempre, nenhum amigo é amigo para sempre'", disse Abedi. "Se é isso que a comunidade internacional, com a liderança dos Estados Unidos da América, está planejando - sair -, é melhor tornarmos a situação suficientemente honrada para que eles saiam com honra."

Os EUA têm repetido que a retirada será gradual, num ritmo que dependerá das condições no terreno e da capacidade do governo afegão para garantir a sua própria segurança.

O almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, alertou em depoimento parlamentar na quarta-feira contra o excesso de otimismo gerado pelos rumores de uma reconciliação afegã. Segundo ele, o esforço de guerra dos EUA no país "não vai terminar rapidamente".

"Eu me preocupo com o tipo de esperança que se cria imediatamente, quando se vê uma pequena luz aqui, de que isso vai acabar rapidamente", disse Mullen a parlamentares. "Não vejo isso. Esta é uma parte dura, muito dura, do processo."

(Reportagem de Phil Stewart e Adam Entous em Washington e Peter Graff em Cabul)

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