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24/03/2010 - 10h14

Israel mantém planos de construir em Jerusalém Oriental

Por Allyn Fisher-Ilan

JERUSALÉM (Reuters) - Sem recuar diante das turbulências nas suas relações com Estados Unidos e Grã-Bretanha, Israel confirmou na quarta-feira novos planos para ampliar ainda mais a presença judaica em Jerusalém Oriental, o que certamente deve irritar os palestinos e frustrar os aliados ocidentais de Israel, que pedem a paralisação das construções.

Uma autoridade municipal disse que já foram autorizadas as obras em um turbulento bairro do qual palestinos foram expulsos no ano passado.

A notícia foi divulgada ao final de uma viagem excepcionalmente discreta do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aos EUA, onde se reuniu com o presidente Barack Obama para tentar resolver a crise provocada pelo anúncio, há duas semanas, de novas construções nos arredores de Jerusalém Oriental.

Netanyahu lamentou que o anúncio tenha coincidido com uma visita a Israel do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, o que Washington considerou "um insulto",

Mas na segunda-feira o premiê de Israel insistiu, diante de uma plateia de influentes judeus norte-americanos, que "Jerusalém é a nossa capital", e que Israel vai continuar construindo onde achar que deve na cidade.

A declaração desafiadora coincide com uma repreensão pública da Grã-Bretanha a Israel. Londres decidiu expulsar um diplomata israelense envolvido na falsificação dos passaportes usados por suspeitos de matarem um dirigente do Hamas em Dubai.

Israel lamentou a decisão britânica, mas analistas previram que não haverá um abalo significativo nas relações bilaterais.

A Arábia Saudita, que em geral evita esse tipo de queixa em público, pediu na quarta-feira às grandes potências envolvidas no processo de paz do Oriente Médio que busquem "esclarecimentos sobre a política arrogante de Israel e sua insistência em desafiar o desejo internacional".

A imprensa israelense disse que Netanyahu foi surpreendido pela notícia do novo projeto para construir apartamentos no bairro de Sheikh Jarrah, local de manifestações contra os colonos desde a expulsão dos moradores palestinos.

Falando à Rádio do Exército, o vereador Elisha Peleg disse que o plano está sendo preparado há meses, e que a novidade é um "passo técnico" para a aprovação de 100 casas. "Vamos continuar construindo em toda Jerusalém, em Sheikh Jarrah e Ras al-Amud também", disse ele, citando outro bairro palestino na região de Jerusalém.

O negociador palestino, Saeb Erekat, disse que o presidente Mahmoud Abbas vai insistir para que Israel desista das obras em Sheikh Jarrah e também na área onde devem ser erguidas as 1.600 residências anunciadas durante a visita de Biden.

"Quando dizemos 'paz ou assentamentos', parece que ele (Netanyahu) prefere os assentamentos", disse Erekat.

Israel anexou Jerusalém Oriental como parte da sua capital após capturá-la na guerra de 1967. A comunidade internacional não reconhece a anexação, e os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como capital do seu futuro Estado na Cisjordânia e Faixa de Gaza.

(Reportagem de Allyn Fisher-Ilan em Jerusalém, Jeffrey Heller em Washington e Souhail Karam em Riad)

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