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25/03/2010 - 10h51

Copom vê piora da inflação e necessidade de ajuste

Por Paula Laier

SÃO PAULO (Reuters) - Os sinais de robustez da demanda doméstica levaram o Banco Central a avaliar que aumentaram os riscos para a concretização de um cenário inflacionário benigno, diz a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira.

Apesar da divergência dos votos, a ata mostra que houve consenso quanto à necessidade de se implementar um ajuste nos juros para conter o descompasso entre a expansão da demanda interna e a capacidade produtiva e reforçar a ancoragem das expectativas de inflação.

O documento é referente ao encontro da semana passada, quando a taxa Selic foi mantida em 8,75 por cento pela quinta reunião seguida. O placar da decisão, contudo, foi dividido, com 3 dos 8 integrantes do Copom votando pelo aumento do juro básico naquela ocasião.

Ainda, o Copom avalia que o balanço dos principais riscos sobre a trajetória prospectiva da inflação será fundamental na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária.

"Diante dos sinais de robustez da demanda doméstica, ocasionando redução da margem de ociosidade ... e do comportamento recente das expectativas de inflação, aumentaram os riscos para a concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual a inflação seguiria consistente com a trajetória das metas", diz o texto.

De acordo com a ata, houve consenso no Copom "quanto à necessidade de se adequar o ritmo do ajuste da taxa básica de juros à evolução do cenário inflacionário prospectivo ... de forma a limitar os impactos causados pelo comportamento da inflação corrente sobre a dinâmica subjacente dos preços".

As informações disponíveis neste momento e o fato de que já está em curso o processo de retirada dos estímulos introduzidos durante a crise, contudo, foram os argumentos da parcela do Copom que preferiu aguardar a evolução do cenário até a próxima reunião para, então, dar início ao ajuste da taxa básica.

As projeções de inflação e o balanço de riscos considerado, contudo, justificariam uma elevação imediata para o grupo minoritário que votou pela alta de 0,50 ponto percentual.

O Copom cita como principais riscos para a consolidação de um cenário benigno de inflação a elevação nos preços de commodities (no exterior) e os efeitos, cumulativos e defasados, da distensão das condições financeiras e do impulso fiscal e creditício sobre a demanda doméstica (local).

"O balanço dessas influências sobre a trajetória prospectiva da inflação será fundamental na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária."

CENÁRIO DE INFLAÇÃO PIOROU

O Copom também reiterou que a avaliação de decisões alternativas de política monetária deve se concentrar, necessariamente, na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar valores correntes observados para essa variável.

A equipe liderada por Henrique Meireles, contudo, notou que houve "certa deterioração nos últimos meses" no cenário prospectivo para a inflação.

O BC constata que o conjunto das informações disponíveis evidencia deterioração da dinâmica inflacionária na margem.

No cenário de referência, o BC diz que a projeção para a inflação de 2010 elevou-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de janeiro, e se encontra sensivelmente acima do valor central de 4,50 por cento para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para 2011, a projeção também se elevou em relação ao valor considerado na reunião de janeiro, e também se encontra acima do valor central da meta.

INFLUÊNCIA EXTERNA

Na visão do Copom, persiste a incerteza quanto à sustentabilidade da expansão do consumo nas economias maduras, mas a recuperação parece estar se consolidando, enquanto em diversas economias emergentes, a atividade econômica parece ter entrado em rota consistente de expansão.

De acordo com o BC, os pontos mínimos da inflação nas economias maduras e em importantes economias emergentes foram ultrapassados.

"Nesse contexto, após um período de flexibilização agressiva, a política monetária... entrou em fase de estabilidade, ao passo que a tendência naquelas economias que foram menos impactadas pela crise internacional e se recuperam mais rápida e intensamente é de adoção de posturas de política monetária mais restritivas."

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