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26/03/2010 - 14h43

Petrobras descarta aumentar dívida para se capitalizar

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras não vai aumentar sua dívida arriscando perder o grau de investimento duramente conquistado para se capitalizar, afirmou nesta sexta-feira o gerente de Relações com Investidores da Petrobras, Alexandre Quintão.

Segundo Quintão, se o Congresso Nacional não aprovar até o final de maio o projeto que prevê a capitalização da companhia, com cessão pelo governo de áreas não licitadas do pré-sal até o limite de 5 bilhões de barris, a empresa estudará alternativas para injetar recursos no caixa visando aumentar o patrimônio líquido e dar maior margem de alavancagem.

"A gente trabalha com capitalização com cessão onerosa, ela é extramente necessária para o ano de 2010, para o Plano de Negócios de 200/220 bilhões de dólares, e se não tiver isso vai ter que ajustar de algum lado, ou você ajusta via capitalização ou ajusta via redução de investimentos", disse Quintão a jornalistas após encontro com a analistas de mercado promovido pela Apimec-RJ, referindo-se ao plano para o período 2010-2014.

Ele afirmou que entre as alternativas estaria um aumento de capital apenas por meio de emissão de ações preferenciais, o que preservaria a posição de controlador do governo brasileiro. O valor da operação seria menor do que a feita com a cessão onerosa, ressaltou, sem dar possível novo valor.

"Pode captar sem Congresso, só com ações preferenciais e o governo entra ou não...ele (governo) tem que ter 50 por cento mais uma ação, seria diluído no capital total mas manteria o controle exigido pela Lei do Petróleo (50% mais 1 ação)", disse o executivo.

Com 32 por cento do capital total e 50 por cento mais uma ação do capital votante, o governo teria que injetar recursos ou emitir títulos públicos se quiser participar da operação, gerando mais dívida pública, ao contrário da cessão onerosa, que envolve barris de petróleo que ainda serão explorados.

AÇÕES SOFREM

As ações da companhia reagiram imediatamente à possibilidade de uma emissão de ações preferencias, que poderia acarretar na diluição de acionistas minoritários que não conseguissem recursos suficientes para acompanhar a operação.

"Somando as incertezas da capitalização com a declaração dessa possível redução de investimento ou emissão de ações, é bem negativo, o minoritário fica com medo de ser diluído", explicou o analista Eric Scott, da corretora SLW.

Por volta das 17h (horário de Brasília), as ações preferenciais da Petrobras caíam 1,6 por cento, cotadas a 34,6 reais, enquanto o Ibovespa operava em alta de 0,3 por cento. Logo após a notícia as ações chegaram a tocar 34,30 reais.

"Dá para entender que em qualquer caso, com ou sem capitalização, a companhia vai precisar recorrer às ações preferenciais para levantar mais capital", avaliou o diretor da Ágora Corretora, Álvaro Bandeira.

"O mercado está contente com a gestão de caixa da companhia, mas o que está pesando no preço das ações é como a capitalização vai ser feita", afirmou.

No sentimento geral do mercado o processo de capitalização da Petrobras via cessão onerosa ainda gera muitas dúvidas e a impressão é de que em ano de eleição será muito difícil a aprovação da operação antes do verão norte-americano, quando as janelas de captação se fecham.

MENOS PROJETOS

Quintão disse ainda que sem capitalização o Plano de Negócios poderia passar por uma eventual redução de custos ou dos próprios investimentos planejados para os próximos cinco anos (2010-2014). Seriam postergados ou suspensos projetos que ainda não tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração.

Questionado sobre que tipo de projeto poderia ficar de fora, o executivo informou que seriam os que ainda não foram aprovados pelo Conselho de Administração, mas não deu detalhes.

Ele explicou que para manter o nível de alavancagem aprovado pelo Conselho, de 35 por cento, que visa principalmente manter o grau de investimento da empresa, é necessário aumentar o patrimônio.

"Qualquer tipo de captação via mercado sem ser mercado de ações gera um endividamento e estoura o que eu tenho hoje, que é o limite de 35 por cento (de alavancagem)", explicou.

"Temos que manter o nível de alavancagem dentro de um limite aceitável pelas agências de ratings", complementou, descartando assim emissão de bônus ou mais empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

O executivo disse ainda que a Petrobras já está fazendo uma pesquisa no mercado para conhecer a aceitação de uma capitalização, e dessas conversas concluiu que o valor ficaria entre 15 e 25 bilhões de dólares, valor divulgado esta semana pelo presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, como estimativa possível para a capitalização pelos minoritários.

"Pelo o que a gente vem conversando com bancos de investimentos tem (liquidez). Esse valor que a gente definiu (de 15 a 25 bilhões de dólares) foi muito com base no que o mercado vem nos falando", afirmou.

(Edição de Marcelo Teixeira)

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