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31/03/2010 - 13h32

Estudantes católicos criticam mídia por acusações de pedofilia

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - Estudantes universitários católicos conservadores saíram em defesa do papa Bento 16 na quarta-feira, tachando de "semeadores de desconfiança" os jornalistas que vêm escrevendo sobre o abuso sexual de crianças por padres.

Cerca de 4.000 estudantes de todo o mundo, presentes em Roma para uma convenção, entregaram uma carta de apoio ao papa, durante sua audiência geral semanal na praça São Pedro.

Em seu discurso, o papa não fez referência direta ao escândalo que está atingindo a Igreja, mas disse que os padres devem sempre enviar uma mensagem de "esperança, reconciliação e paz".

Pertencentes ao grupo conservador católico Opus Dei, os universitários entregaram a Bento uma carta que diz: "Notamos que muitos tiraram vantagem de alguns episódios que são dolorosos para a Igreja e o papa para semear dúvidas e desconfianças."

"A esses semeadores da desconfiança, queremos dizer claramente que não aceitamos sua ideologia. Exigimos deles respeito por nossa fé e reconhecimento do direito que temos de viver como cristãos em uma sociedade plural."

As reações dos católicos ao escândalo dos abusos têm sido mistas. Uma pesquisa feita para a revista Stern mostrou que 19 por cento dos estimados 25 milhões de católicos da Alemanha estão pensando em abandonar a igreja devido à questão.

O Vaticano vem atacando a mídia pelo que descreveu como "tentativa ignóbil" de difamar o papa e seus mais altos assessores.

O Vaticano nega que tenha havido acobertamento do abuso de 200 meninos cegos nos Estados Unidos cometido pelo reverendo Lawrence Murphy entre os anos 1950 e 1960. O jornal The New York Times informou que o Vaticano e o cardeal Joseph Ratzinger, o atual papa Bento, foram avisados sobre Murphy mas que, mesmo assim, o padre não foi destituído de suas funções.

O Vaticano nega relatos segundo os quais o papa, quando foi arcebispo de Munique, em 1980, tenha tido envolvimento em uma decisão tomada por um subordinado de autorizar um padre que estava fazendo terapia por ter cometido abusos sexuais a retornar mais tarde a seus deveres pastorais.

Existe a expectativa no Vaticano de que o papa possa falar diretamente sobre o escândalo dos abusos nos próximos dias.

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