UOL Notícias Notícias
 

31/03/2010 - 13h39

Físicos levam máquina do Big Bang para nova fronteira científica

Por Robert Evans

GENEBRA (Reuters) - Físicos do Cern, entusiasmados com seu êxito inovador em criar mini-Big Bangs que lhes proporcionam um vislumbre da aurora do tempo, começaram nesta quarta-feira a chegar mais perto do próprio nascimento do universo.

Um dia apenas depois de realizar as primeiras colisões de partículas em potência mega, ao ritmo de 50 colisões por segundo, eles fixaram a meta de elevar esse número para 300 colisões por segundo dentro do Grande Colisor de Hádrons (LHC) da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern).

"Estamos nos aproximando de fronteiras científicas cada vez mais novas", disse um porta-voz do Cern, James Gillies, enquanto novos agrupamentos de raios de partículas eram injetados em direções opostas no túnel oval de 27 quilômetros do LHC, sob a fronteira da França e da Suíça, perto de Genebra.

O objetivo é, nos próximos meses, ir aumentando o fluxo de dados sobre o que acontece quando partículas entram em choque com a força total de 7 milhões de milhões de elétronvolts, ou 7 TeV, e a uma velocidade apenas uma minifração abaixo da velocidade da luz.

Com essa potência, as colisões chegam muito perto de simular os eventos ocorridos a nanopartes de um segundo após o Big Bang real, ocorrido 13,7 bilhões de anos atrás, que levou à criação das galáxias, das estrelas e da vida na Terra e, possivelmente, em outras partes do universo.

Gillies disse que o número de agrupamentos de partículas será aumentado de dois por vez, na terça-feira, para até 2.700 ao longo dos primeiros 18 meses a dois anos do primeiro estágio de "Nova Física" do projeto LHC, de 9,4 bilhões de dólares.

"Seria como enviar mais e mais carros em direções opostas em uma só pista de uma rodovia, de modo que cada vez mais carros iriam colidir frontalmente", disse ele.

Mostradas nos monitores do Cern em imagens multicoloridas que lembram as visões tradicionais de artistas da bola de fogo primeval e o que a seguiu, as colisões estão sendo acompanhadas por milhares de cientistas em todo o mundo envolvidos no projeto.

Eles e seus colegas no Cern, no qual trabalham cientistas e pesquisadores de 30 países, esperam descobrir o que é a matéria escura invisível que se acredita que compõe até 25 por cento do universo e, possivelmente, descobrir novas dimensões.

Alguns pesquisadores externos, cujas opiniões são ecoadas por teóricos do Juízo Final, dizem que o Cern está colocando a sobrevivência da humanidade em risco ao criar minúsculos buracos negros -- versões em miniatura dos buracos negros imensos que estão presentes na maioria das galáxias e que sugam toda a matéria que se aproxima deles.

Cientistas do LHC rejeitam essa possibilidade. "Os buracos negros que porventura surjam em nossas colisões vão sobreviver por uma fração de segundo e então se dissolver. Eles não representam nenhum perigo à humanidade", disse Denis Denegris, um físico do Cern.

Se tudo continuar bem, as injeções de raios no LHC vão continuar quase diariamente e praticamente ininterruptamente até perto do final de 2011, quando o projeto de enorme complexidade será suspenso por um ano para que o LHC seja preparado para colisões ainda mais poderosas.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,22
    3,142
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    0,67
    70.477,63
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host