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04/04/2010 - 14h16

África do Sul pede calma após morte de Terre'blanche

Por John Mkhize

VENTERSDORP, África do Sul (Reuters) - O presidente da África do Sul Jacob Zuma pediu calma neste domingo após o assassinato do líder branco de ultra-direita Eugene Terre'blanche, após uma suposta discussão por pagamento a trabalhadores negros, despertar temores de conflitos raciais.

A polícia deteve dois trabalhadores de uma fazenda e disse estar investigando sua briga com Terre'blanche, mas o Movimento Africâner de Resistência (AWB na sigla em inglês) de Terre'blanche afirma que ele foi morto espancado e com golpes de machado no sábado em um ataque com contornos políticos.

Zuma, que tem como uma de suas prioridades cortejar brancos africâneres, classificou o ocorrido como um "ato terrível" e convocou os sul-africanos a "não permitir que provocadores se aproveitem da situação incitando ou alimentando o ódio racial."

Terre'blanche, 69 anos, era a voz da oposição linha-dura ao final do apartheid no início dos anos 1990, embora seu partido desde então tenha desempenhado um papel marginal e não tenha muito apoio entre os brancos, que perfazem até dez por cento da população.

O AWB instou a moderação enquanto o enterro é preparado e os próximos passos são definidos. Em Ventersdorp, oeste de Johanesburgo, partidários vestindo uniformes militares depositaram flores nos portões da fazenda de Terre'blanche.

"Vamos decidir que ações vamos tomar para vingar a morte do senhor Terre'blanche," disse o porta-voz Andre Visagie.

As preocupações com uma crescente polarização racial foram escancaradas por uma discussão pelo uso de uma canção da época do apartheid com a letra "Matem os Bôeres" por parte do jovem líder do Congresso Nacional Africano (CNA), partido do presidente Zuma.

O CNA defendeu a canção como nada além de uma maneira de lembrar uma história de opressão, mas o fato inquietou grupos minoritários, especialmente fazendeiros brancos, dos quais cerca de três mil foram mortos desde o fim do apartheid.

"O assassinato de Terre'blanche será visto simbolicamente como uma tensão nessas relações," disse o analista Nic Borain da HSBC Securities. "Mas Terre'blanche é um criminoso antigo e não acho que as pessoas sairão em sua defesa ou que sua morte possa revigorar a oposição dos brancos à nova África do Sul."

O partido de Terre'blanche não hesitou em ligar o assassinato à canção. Terre'blanche sempre se descreveu como um Bôer.

A polícia disse que os suspeitos do assassinato têm 16 e 21 anos e trabalharam para Terre'blanche. Ambos devem comparecer ao tribunal na terça-feira.

"Parece que houve uma discussão e os dois foram presos... a polícia está investigando e o público será mantido informado," disse o ministro de Polícia Nathi Mthethwa em uma coletiva de imprensa. "Alguém morreu, vamos nos ater a isso."

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