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05/04/2010 - 19h33

Obama apresenta estratégia nuclear na terça-feira

Por Matt Spetalnick

WASHINGTON (Reuters) - O presidente Barack Obama apresentará na terça-feira a nova estratégia nuclear dos Estados Unidos, possivelmente prevendo uma redução no tamanho e na função do arsenal atômico do país.

Embora ainda se questione se essa aguardada mudança será abrangente ou apenas cosmética, ela pode dar impulso para a assinatura, na quinta-feira em Praga, de um novo tratado de controle armamentista com a Rússia, e também para uma cúpula nuclear convocada por Obama para a semana que vem em Washington.

O Congresso exige que a cada mandato o presidente apresente uma Revisão da Postura Nuclear. A de Obama gera grande expectativa desde que ele prometeu acabar com o "pensamento da Guerra Fria" e também pelos fatos de ele ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, em parte devido à sua visão de um mundo livre de armas nucleares no futuro, e de atualmente mobilizar a comunidade internacional contra os programas nucleares de Irã e Coreia do Norte.

O documento foi adiado em vários meses devido a deliberações internas, e no mês passado Obama disse que ele iria "reduzir o número e o papel das armas nucleares na nossa estratégia de segurança nacional, embora mantenhamos uma dissuasão nuclear segura, protegida e efetiva."

Críticos conservadores dizem que a abordagem de Obama tem sido ingênua e pode ameaçar a segurança nacional dos Estados Unidos.

O documento, que possivelmente reverterá algumas políticas do governo de George W. Bush, será um teste para os esforços de Obama pelo controle global das armas nucleares, um dos pilares da sua política externa, e influirá também nos orçamentos de defesa e na mobilização e desmobilização de arsenais nos próximos anos.

Acredita-se que houve um prolongado debate envolvendo assessores de Obama e oficiais militares sobre a conveniência de declarar nesse documento que os Estados Unidos jamais serão os primeiros a usarem armas nucleares numa crise, reservando-as apenas como reação a ataques.

A maioria dos especialistas acredita que Obama não chegará a esse ponto, mas que poderá reduzir as circunstâncias sob as quais os Estados Unidos recorreriam a armas nucleares.

O governo Bush, por outro lado, ameaçava usar armas nucleares para evitar ou reagir a agressões com armas químicas e biológicas vindas de inimigos.

Um meio-termo para Obama seria retirar essa ameaça contra países que não tenham armas nucleares e que cumpram o Tratado de Não Proliferação Nuclear, segundo especialistas.

Alguns parlamentares democratas mais liberais gostariam que o governo declarasse que o arsenal nuclear norte-americano só serve para dissuadir outros países de usarem suas armas atômicas, algo a que funcionários de Defesa se opõem, razão pela qual, segundo os especialistas, o mais provável será uma menção ambígua à dissuasão como propósito primário desse arsenal.

(Reportagem adicional de Patricia Zengerle)

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