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05/04/2010 - 14h27

Terremoto assusta cidades na fronteira México-EUA

Por Lizbeth Díaz e Tim Gaynor

MEXICALI, México (Reuters) - Famílias assustadas estavam reunidas em parques e estacionamentos nesta segunda-feira em Mexicali, cidade na fronteira norte do México, depois que as réplicas de um forte terremoto as forçaram passar a noite em ruas repletas de destroços.

Duas pessoas morreram e cerca de 100 ficaram feridas quando um terremoto de magnitude 7,2 abalou a área da fronteira entre o México e o Estado norte-americano da Califórnia na tarde do domingo, disse à emissora Televisa o governador do Estado mexicano de Baja Califórnia, José Osuna. Uma pessoa morreu esmagada em uma casa que desabou e outra foi atingida por um muro que ruiu.

O tremor, que chegou a ser sentido em Los Angeles, rachou ruas e estradas principais, derrubou postes de eletricidade e destruiu um estacionamento vazio de vários andares que estava em construção em Mexicali, cidade próspera e que tem um movimentado posto de travessia da fronteira.

Osuna disse que cidades ao sul de Mexicali, próximas ao epicentro do tremor, podem ter sido as mais atingidas e que 3.500 pessoas cujas casas desabaram ou ficaram seriamente danificadas seriam levadas a abrigos.

Foram registrados mais de 80 tremores secundários na região nas horas seguintes ao terremoto, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).

"Com o número de tremores secundários que tivemos, a possibilidade de outro terremoto de magnitude 6 ou 7 é muito real", disse Erik Pounders, geólogo do USGS.

Centenas de pessoas passaram a noite ao ar livre, enquanto abalos menores sacudiam prédios com pisos, paredes e janelas rachados.

"Eu não ia colocar minha família em risco. Muitas casas estão com rachaduras", disse a professora Fermin García, que passou a noite com sua família numa barraca montada entre dois shopping centers.

Tubulações de gás rachadas provocaram vários incêndios no domingo, e a falta de luz nas ruas de Mexicali causou acidentes de carros, mas nenhum grande edifício parece ter desabado.

O fornecimento elétrico estava começando a ser restaurado nesta segunda-feira, mas muitos hospitais públicos ainda estavam sem luz, e os pacientes estavam deitados em macas em estacionamentos devido aos receios causados pelas rachaduras nas paredes.

Uma rodovia que liga Mexicali à cidade fronteiriça vizinha de Tijuana, na costa do Pacífico, sofreu uma rachadura de pelo menos um metro de profundidade, disse uma testemunha à Reuters.

Um terminal de importação de gás natural liquefeito operado pela empresa Sempra Energy, ao sul de Tijuana, não foi danificado, segundo porta-voz da empresa.

ABALOS POSTERIORES

Pessoas que retornavam do feriado da Semana Santa ficaram presas em engarrafamentos, e motoristas relataram dificuldade em encontrar combustível.

"Graças a Deus, nada aconteceu conosco. Agora só temos que aguardar até que a polícia nos deixe abastecer o carro", disse Maria Lopez, que estava aguardando havia quatro horas para abastecer seu carro para ir a Tijuana.

O terremoto do domingo provocou susto nos Estados Unidos e em toda a América Latina, que este ano já foi abalada pelos terremotos devastadores do Haiti e do Chile.

Com mais de 1 milhão de habitantes, Mexicali é um centro de indústrias processadoras de alimentos e de fábricas que montam produtos para exportação.

O tremor, que ocorreu em profundidade relativamente pequena, teve seu epicentro em uma área pouco povoada a 48 quilômetros a sudeste da cidade. Choques posteriores abalaram a área por várias horas após o tremor principal.

Do outro lado da fronteira, na cidade de Calexico, nos EUA, oito quarteirões no centro da cidade foram fechados, enquanto agentes da Patrulha da Fronteira ajudavam policiais a proteger a área contra saqueadores. As lojas estavam com vitrines quebradas e toldos entortados.

O sul da Califórnia com suas incontáveis falhas geológicas é vulnerável a tremores frequentes e muitos residentes temem pelo próximo grande terremoto. O último sismo que causou grandes estragos foi o registrado em 1994, de magnitude 6,7, que deixou 57 mortos e 9.000 feridos.

(Reportagem adicional de Mica Rosenberg e Veronica Sparrowe na Cidade do Médico)

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