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06/04/2010 - 14h08

Temporal mata ao menos 50 no Rio e leva caos à capital

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A chuva que atinge o Rio de Janeiro pelo segundo dia seguido nesta terça-feira deixou ao menos 50 mortos na região metropolitana, sendo 26 deles só na capital, onde aulas foram canceladas e a população está sendo orientada a permanecer em casa e deixar áreas de risco.

A maioria das mortes ocorreu em decorrência de deslizamentos de terra, segundo os bombeiros. Na capital fluminense, 26 pessoas morreram soterradas na queda de encostas que encobriram suas casas em comunidades carentes da cidade, principalmente na zona norte, de acordo com o prefeito Eduardo Paes. Na cidade foram registrados 180 deslizamentos e há ainda ao menos 20 desaparecidos,

No município vizinho de Niterói, 14 pessoas morreram soterradas, em São Gonçalo outras 9 mortes foram registradas e uma vítima fatal foi notificada em Nilópolis, na Baixada Fluminense, de acordo com o governo estadual.

A chuva está sendo considerada a mais intensa já registrada na cidade, e a previsão é de que permaneça durante todo o dia. Muitas pessoas não conseguiram retornar para suas casas na segunda-feira, pois o transporte público foi afetado devido a áreas de alagamento registradas em diversas partes da capital e região metropolitana. O trânsito ficou caótico.

"A situação é crítica. São vias muito alagadas e paradas. A orientação para as pessoas é que não saiam de casa e evitem deslocamentos", disse por telefone à Reuters o prefeito Eduardo Paes (PMDB).

Numa entrevista coletiva posterior, o prefeito informou que em menos de 24 horas choveu em média 288 milímetros na cidade, e que há pelo menos 10 mil residências em locais de risco, principalmente em morros e favelas.

"É a maior chuva das grandes tragédias da história do Rio de Janeiro", acrescentou. De acordo com o instituto de meteorologia Climatempo, num período de 12 horas entre segunda e terça-feira choveu o que estava previsto para todo o mês de abril.

RIO DEBAIXO D´ÁGUA

Imagens de televisão mostraram nesta terça-feira que a Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul, transbordou e inundou as pistas em seu entorno. A Praça da Bandeira, na região central, alagou logo no início do temporal na segunda-feira e diversos carros que estavam no local ou que tentavam cruzar a região ficaram submersos. Muitos veículos foram abandonados.

A rua Jardim Botânico, na zona sul, e vias adjacentes também estavam alagadas. Em Copacabana, moradores saiam para o trabalho na manhã de terça-feira caminhando com água na altura das canelas nas principais ruas do bairro.

Equipes de apoio e resgate da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros encontravam dificuldades para chegar a locais de maior risco. Havia várias informações de deslizamentos de terra em toda a capital fluminense.

A ponte Rio-Niterói e os aeroportos operavam de forma precária na manhã desta terça.

VOLTA PARA CASA

Trabalhadores passaram horas dentro de ônibus na noite de segunda-feira sem conseguir voltar para casa devido a alagamentos. Pontos de ônibus ficaram abarrotados de pessoas que não tiveram transporte durante toda a madrugada. E a situação se repetiu na manhã de terça.

"Está tudo parado há muitas horas. Demorei horas para pegar um ônibus aqui na Baixada Fluminense, e quando acessamos a ponte, parou de vez. Já liguei para o meu patrão e avisei que hoje não dá para trabalhar," disse por telefone a faxineira Zumira Santos.

Diante da forte chuva que persistia n início da manhã, as aulas nas escolas das redes públicas do Rio foram suspensas nesta terça-feira. O temporal também derrubou árvores e comprometeu o fornecimento de energia em vários pontos da cidade. O Tribunal de Justiça do Estado teve que cancelar as audiências marcadas para os fóruns da cidade.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita ao Rio de Janeiro, cancelou a agenda prevista ao Complexo do Alemão, onde inauguraria obras do Programa de Aceleração do Crescimento na comunidade.

"As enchentes atingem sempre as pessoas que moram em locais pobres, em locais inadequados", disse Lula a jornalistas no Rio, antes de participar de evento na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

"Temos que esperar passar a chuva para cuidar das pessoas", acrescentou o presidente, que ofereceu ajuda por telefone ao prefeito Eduardo Paes e ao governador do Rio, Sérgio Cabral.

(Com reportagem de Pedro Fonseca; Edição de Maria Pia Palermo)

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