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06/04/2010 - 19h04

Temporal mata ao menos 95 no Rio e para capital

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A chuva que atinge o Rio de Janeiro pelo segundo dia seguido nesta terça-feira deixou ao menos 95 mortos no Estado, provocou deslizamentos, suspensão das aulas e fechou o comércio da capital.

"Estamos trabalhando em diversas frentes e com certeza esses números vão subir ainda mais", disse o sargento Sérgio, do Corpo de Bombeiros. A maioria das mortes foi causada por deslizamentos.

Foram confirmadas 41 mortes em Niterói e 39 na capital. Também foram registradas vítimas em São Gonçalo, Nilópolis, Duque de Caxias, na região metropolitana, e Petrópolis, na região serrana do Estado, informaram os bombeiros.

Na capital fluminense, as aulas foram canceladas e a população foi orientada a permanecer em casa e deixar áreas de risco, depois de uma noite de caos. A chuva que começou por volta das 17h de segunda impossibilitou o retorno de muitas pessoas para casa e alagou grande parte da cidade. Foram registrados pelo menos 180 deslizamentos até o fim da manhã e há ainda muitos desaparecidos.

Várias vias de ligação entre as zonas norte e sul ficaram interditadas devido a pontos de alagamento e deslizamentos.

A chuva é considerada a mais intensa já registrada na cidade nas últimas décadas, e não parou de cair durante todo o dia.

"A situação é crítica. São vias muito alagadas e paradas. A orientação para as pessoas é que não saiam de casa e evitem deslocamentos", disse por telefone à Reuters o prefeito Eduardo Paes (PMDB), na manhã desta terça.

Numa entrevista coletiva posterior, o prefeito informou que em menos de 24 horas choveu em média 288 milímetros na cidade, e que havia pelo menos 10 mil residências em locais de risco, principalmente em morros e favelas.

"É a maior chuva das grandes tragédias da história do Rio de Janeiro", acrescentou.

De acordo com o instituto de meteorologia Climatempo, num período de 12 horas entre segunda e terça-feira choveu o que estava previsto para todo o mês de abril.

ALAGAMENTOS

Imagens de televisão mostraram nesta terça-feira que a Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul, transbordou e inundou as pistas em seu entorno. A Praça da Bandeira, na região central, alagou logo no início do temporal na segunda-feira e diversos carros que estavam no local ou que tentavam cruzar a região ficaram submersos. Muitos veículos foram abandonados.

No final da manhã de terça, o nível da água havia baixado na Praça da Bandeira e funcionários da prefeitura trabalhavam para retirar a lama do local.

A rua Jardim Botânico, na zona sul, e vias adjacentes também ficaram alagadas. Em Copacabana, moradores saíam para o trabalho na manhã de terça-feira caminhando com água na altura das canelas nas principais ruas do bairro.

Equipes de apoio e resgate da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros encontravam dificuldades para chegar a locais de maior risco. Havia várias informações de deslizamentos de terra em toda a capital fluminense.

A ponte Rio-Niterói e os aeroportos operaram de forma precária na manhã desta terça.

SEM AULAS; COMÉRCIO FECHADO

Trabalhadores passaram horas dentro de ônibus na noite de segunda-feira sem conseguir voltar para casa devido a alagamentos. Pontos de ônibus ficaram abarrotados de pessoas que não tiveram transporte durante toda a madrugada.

Diante da forte chuva que persistia no início da manhã, as aulas foram suspensas nesta terça-feira. O governador Sérgio Cabral reconheceu as deficiências na infraestrutura da cidade, mas culpou o grande volume de chuva e a ocupação irregular de encostas pelo grande número de vítimas.

"Façam um levantamento do número das pessoas que morrem, são os mais pobres em áreas de risco. São aqueles que vão para áreas (de risco)", disse a jornalistas.

O comércio também se viu obrigado a fechar as portas, pois muitos funcionários não conseguiam chegar ao trabalho. Em um shoping center da zona sul, diversas lojas estavam fechadas.

O temporal também derrubou árvores e comprometeu o fornecimento de energia em vários pontos da cidade. O Tribunal de Justiça do Estado teve que cancelar as audiências marcadas para os fóruns da cidade. Outros órgãos públicos suspenderam os serviços.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita ao Rio de Janeiro, cancelou a agenda prevista ao Complexo do Alemão, onde inauguraria obras do Programa de Aceleração do Crescimento na comunidade.

"As enchentes atingem sempre as pessoas que moram em locais pobres, em locais inadequados", disse Lula a jornalistas no Rio. Mais tarde, em evento na cidade, ele pediu um minuto de silêncio em respeito às vítimas.

"Temos que esperar passar a chuva para cuidar das pessoas", acrescentou o presidente, que ofereceu ajuda ao prefeito Eduardo Paes e ao governador do Rio, Sérgio Cabral.

(Com reportagem de Pedro Fonseca)

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