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07/04/2010 - 12h24

Vaga Suprema Corte deve ser batalha para Obama em ano eleitoral

Por James Vicini

WASHINGTON (Reuters) - Ainda mal recuperado da dura batalha para aprovar no Congresso a reforma da saúde, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pode ter de enfrentar outra briga para conseguir nomear um novo juiz da Suprema Corte, caso John Paul Stevens, de 89 anos, realmente se aposente, conforme esperado.

A disputa parlamentar pela confirmação do eventual indicado pode prejudicar os planos do Partido Democrata para focar em questões econômicas e de geração de empregos até a eleição de novembro, quando a oposição republicana espera recuperar a maioria no Congresso.

No ano passado Obama conseguiu aprovar sua primeira indicação para a Suprema Corte, a de Sonia Sotomayor, apesar do acalorado questionamento dos conservadores sobre a capacidade dela.

Stevens lidera a "bancada" liberal de quatro juízes, que é minoria no principal tribunal do país. Em recentes entrevistas, ele tem dito que pretende se aposentar em breve, após 35 anos como juiz da Suprema Corte. A expectativa é que Obama indique outro liberal para esse cargo vitalício, que exige aprovação do Senado.

Juristas e membros do governo dizem que os principais candidatos são a advogada-geral da União, Elena Kagan, e dois juízes de tribunais de recursos: Diane Wood e Merrick Garland.

"Sendo um ano eleitoral, espero que os republicanos se oponham agressivamente a qualquer indicado de Obama, a fim de inflamar sua base (conservadora)", disse Nan Aron, da entidade Aliança pela Justiça, voltada para questões ambientais, de direitos civis e direitos do consumidor.

A disputa pela confirmação para a Suprema Corte pode dominar o Congresso durante algum tempo, dificultando iniciativas governistas para tentar reduzir o desemprego, assunto que deve ser determinante na campanha eleitoral.

A polêmica pode também complicar os esforços de alguns democratas e republicanos para que o Senado aprove uma legislação climática.

Lobbies liberais e conservadores já se preparam para essa disputa, travada em audiências no Senado, transmitidas pela TV. O processo de confirmação pode arrastar o Senado para uma prolongada briga envolvendo questões sociais polêmicas.

Curt Levey, da entidade conservadora Comitê pela Justiça, disse que talvez Obama tente evitar uma disputa muito acirrada no ano eleitoral, para não sofrer o desgaste resultante do debate em torno de temas como aborto, posse de armas e direitos de homossexuais.

(Reportagem adicional de Jeff Mason e Thomas Ferraro)

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