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08/04/2010 - 17h43

EUA e Rússia pressionam Irã, mas diferem sobre Quirguistão

Caren Bohan e Denis Dyomkin*
Em Praga

Os Estados Unidos e a Rússia pressionaram o Irã nesta quinta-feira para que o país renuncie a suas ambições nucleares ou enfrente novas sanções, enquanto assinaram um histórico tratado de desarmamento nuclear. Com relação ao Quirguistão, no entanto, as diferenças foram grandes.

Os presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev assinaram o pacto numa cerimônia no Castelo de Praga após conversações sobre possíveis sanções adicionais ao programa atômico do Irã, que o Ocidente acredita tenha como objetivo a produção de bombas.

Mas a tentativa de ambos de apresentar um front unido fracassou com relação ao Quirguistão. Uma importante autoridade russa disse que Moscou exortaria os novos líderes que derrubaram o presidente Kurmanbek Bakiyev a fechar uma base aérea estratégica dos Estados Unidos na antiga república soviética na Ásia Central.

Isso representaria um duro golpe a Washington, que tem usado a base de Manas para abastecer as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) lideradas pelos EUA no combate aos insurgentes do Taliban no Afeganistão, desde que o país perdeu uma instalação similar no Uzbequistão, aparentemente em razão da pressão feita por Moscou.

O tratado sobre as armas reduzirá arsenais nucleares estratégicos mantidos pelos antigos inimigos da Guerra Fria em 30 por cento dentro de sete anos, mas deixará a cada um o suficiente para destruir o outro.

Obama afirmou que o acordo "pôs fim ao desvio" nas relações entre Moscou e Washington e enviou um forte sinal de que as duas potências, que juntas detêm 90 por cento de todas as armas atômicas, estavam levando a sério suas obrigações de desarmamento.

"Estamos trabalhando em conjunto no Conselho de Segurança das Nações Unidas para aprovar duras sanções contra o Irã e não vamos tolerar ações que desconsiderem o TNP", afirmou ele, referindo-se ao Tratado de Não Proliferação Nuclear.

"Minha expectativa é de que seremos capazes de garantir sanções fortes e duras contra o Irã nesta primavera (boreal)."

Medvedev, no entanto, foi mais cauteloso, dizendo ter apresentado ao presidente norte-americano uma lista do que era aceitável ou não.

Divisão no Quirquistão?
A situação no Quirguistão, onde manifestantes da oposição forçaram a deposição de Bakiyev na quarta-feira, foi impelida para a agenda, já que Washington e Moscou têm bases militares no país que é pobre, mas tem uma localização estratégica.

Uma autoridade norte-americana afirmou que Obama e Medvedev consideraram a possibilidade de divulgar um comunicado conjunto sobre a crise, já que ambos tinham interesse na estabilidade, mas isso não aconteceu.

Pelo contrário, uma autoridade russa do alto escalão, falando sob a condição de anonimato, disse a jornalistas depois: "No Quirguistão, deverá haver apenas uma base: a russa."

Ele afirmou que Bakiyev não cumpriu uma promessa de fechar a base dos Estados Unidos. A autoridade norte-americana respondeu que os dois líderes não discutiram a possibilidade de fechar a base área norte-americana.

*Colaboraram Jana Mlcochova e Denis Dyomkin, em Praga, e  Jon Boyle, em Londres

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