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08/04/2010 - 21h31

Nova espécie de hominídeo oferece pistas evolutivas

Por Kate Kelland

LONDRES (Reuters) - Dois esqueletos parciais desenterrados de uma caverna sul-africana pertencem a uma espécie previamente não-classificada de pré-humano, com quase 2 milhões de anos, e podem oferecer explicações sobre a evolução humana, disseram cientistas na quinta-feira.

Fósseis dos ossos de um macho jovem e de uma fêmea adulta sugerem que a espécie recém-documentada, chamada "Australopithecus sediba", andava ereta e compartilhava muitas características físicas com as primeiras espécies conhecidas do gênero "Homo".

A descoberta desses fósseis de hominídeos, que segundo os cientistas têm entre 1,78 e 1,95 milhão de anos, foi publicada na revista Science. Lee Berger, da Universidade do Witwatersrand, em Johanesburgo, que liderou a equipe responsável pela descoberta em agosto de 2008, disse a jornalistas perto da caverna, nos arredores da maior cidade sul-africana, que a descoberta foi algo "sem precedentes".

"Estou surpreso pela natureza excepcional de algo bem na nossa porta (...), há mais fósseis de hominídeos do que jamais descobri em toda a minha carreira", disse ele. "Quando encontramos isso, jamais imaginávamos que estivéssemos vendo uma nova espécie."

Berger havia dito antes por telefone a jornalistas que sua equipe ainda esperava revelar dois outros esqueletos no mesmo local.

Ele relutou em descrever a nova espécie como um "elo perdido" na linhagem evolutiva dos humanos, mas disse que ela irá "contribuir enormemente com a nossa compreensão sobre o que estava acontecendo no momento em que os primeiros membros do gênero 'Homo' surgiram".

Na mesma entrevista coletiva, o vice-presidente da África do Sul, Kgalema Motlanthe, disse: "Como qualquer pai sabe, uma das perguntas mais comuns que uma criança faz é 'De onde viemos?'. Ficou claro que a resposta é 'África'".

"Com a Copa do Mundo a 63 dias, agora poderemos dar as boas-vindas às pessoas do mundo com notícias recentes do nosso passado", acrescentou.

Muitos especialistas acreditam que o gênero "Homo", do qual faz parte o ser humano, evoluiu a partir do gênero "Australopithecus", há cerca de 2 milhões de anos. Esta nova espécie é cerca de 1 milhão de anos mais jovem do que um dos pré-humanos mais conhecidos, "Lucy", um esqueleto de uma espécie chamada "Australopithecus afarensis", segundo os cientistas.

Os novos fósseis foram encontrados nas cavernas Malapa, no local conhecido como "Berço da Humanidade", um patrimônio histórico mundial a cerca de 40 quilômetros de Johanesburgo.

A espécie tinha braços longos, como macacos, mãos curtas e fortes, pélvis muito avançada e pernas longas, capazes de caminharem e possivelmente correrem como humanos, disseram os pesquisadores.

Eles estimam que ambos os hominídeos tivessem cerca de 1,27 metro, embora o macho pudesse ter crescido mais, caso houvesse sobrevivido até a idade adulta.

O tamanho do cérebro do espécime mais jovem provavelmente era de 420 a 450 centímetros cúbicos, o que é pequeno em comparação aos 1.200-1.600 centímetros cúbicos do cérebro humano, disseram eles.

(Reportagem adicional de Diana Neille)

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