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09/04/2010 - 08h52

Mortos no RJ chegam a 182, mar agitado interdita ruas da capital

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 9 de abril ( Reuters) - A frente fria que chegou ao Estado do Rio de Janeiro no começo da semana trazendo fortes chuvas que provocaram a morte de pelo menos 182 pessoas começava a causar ressaca na orla da capital fluminense, gerando ainda mais transtornos aos cariocas.

Enquanto isso, no Morro do Bumba em Niterói, cidade mais castigada pelas chuvas, o Corpo de Bombeiros e Defesa Civil trabalham desde a noite de quarta-feira na busca pelas vítimas de um deslizamento que soterrou dezenas de casas numa área construída sobre um lixão desativado.

Até agora 17 corpos foram retirados dos escombros e os trabalhos devem durar de duas a três semanas. Em Niterói já morreram 107 pessoas por conta do temporal desta semana.

O prefeito Jorge Roberto da Silveira (PDT) decretou estado de calamidade pública na cidade. "Não sabia desse risco todo. Vamos tentar convencê-los de que eles têm que sair de lá", disse o prefeito à TV Globo.

No litoral da capital fluminense, as ondas de entre quatro e cinco metros de altura interditaram uma das vias da Avenida Atlântica, em Copacabana, que foi tomada pela areia e pela água do mar. A ressaca também provocou a interdição do Aterro do Flamengo, outra via expressa que faz a ligação entre a zona sul e o centro da cidade.

O mar da Baía de Guanabara também está bastante agitado e a água invadiu parte da cabeceira da pista do Aeroporto Santos Dumont, prejudicando parcialmente as operações no local. A travessia de barcas e catamarãs entre Rio de Janeiro e Niterói também está afetada pelo mar agitado.

"A ressaca pode piorar ainda mais, porque a maré vai atingir o seu auge no início da tarde, então há mais riscos de mais areia e água invadindo as pistas", disse o oceanógrafo David Zee, ao ressaltar que um ciclone extratropical passou perto do litoral do Rio e aumentando o tamanho das ondas.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), autorizou a remoção compulsória de moradores de 158 locais que estariam em situação de emergência na cidade.

Nesta semana, Paes já havia anunciado que a prefeitura iria remover de 1.500 a 2 mil famílias da Rocinha e do Morro dos Prazeres. A remoção, segundo o prefeito será feita com ou sem o consentimento dos moradores.

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