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09/04/2010 - 20h45

Rússia pode suspender adoções após menino ser devolvido

Por Conor Humphries

MOSCOU (Reuters) - A Rússia declarou nesta sexta-feira que pretende suspender a adoção de crianças do país por cidadãos dos Estados Unidos, depois de uma norte-americana ter devolvido seu filho adotivo, despachando-o num avião para Moscou junto com um bilhete.

Artyom Savelyev, de 7 anos, chegou sozinho ao aeroporto de Moscou na terça-feira, portando uma carta datilografada com um pedido para que as autoridades russas anulassem a adoção, sob o argumento de que a criança era mentalmente instável, segundo as autoridades.

"O jeito como ele foi tratado é além de imoral", disse o chanceler Sergei Lavrov em entrevista a uma TV estatal nesta sexta-feira.

"Tomamos a decisão de que o Ministério das Relações Exteriores vai insistir no congelamento de todas as adoções por famílias norte-americanas até que Rússia e Estados Unidos assinem um tratado estabelecendo os termos das adoções."

A Rússia é a terceira principal origem estrangeira de crianças adotadas nos Estados Unidos, com 1.586 adoções no ano passado, segundo o Departamento de Estado.

Artyom, que naquele país foi rebatizado como Justin Hansen por seus pais norte-americanos, havia sido adotado de um orfanato na região de Primorye, no extremo oriente russo, em 2009.

Cerca de seis meses depois, a mãe adotiva concluiu que ele não estava se adaptando e comprou para ele um bilhete só de ida para Moscou.

"A criança é mentalmente instável. Ele é violento e tem severas questões psicopáticas. Fui enganada e induzida ao erro pelo orfanato russo", diz o bilhete, mostrado na TV russa. "Pela segurança da minha família, amigos e minha própria, não desejo mais criar esta criança como genitora."

A TV mostrou o lourinho Atyrom acenando nervosamente diante de uma fila de câmeras. Nesta sexta-feira, ele foi submetido a exames médicos, enquanto as autoridades decidem quem tomará conta dele.

Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley, disse que o governo dos EUA está "obviamente muito perturbado" com o caso, mas espera que isso não impeça futuras adoções. Ele prometeu apoio das autoridades ao governo russo e às agências internacionais de adoções para reforçar a proteção dessas crianças.

As autoridades russas dizem que estão investigando se alguma lei foi violada no processo de adoção de Artyom, e o ombudsman do Kremlin para os direitos da criança, Pavel Astakhov, afirmou que o menino foi maltratado por sua mãe adotiva.

Ele foi recebido no aeroporto de Moscou por um guia turístico que ganhou 200 dólares da mãe adotiva do menino para "entregá-lo ao Ministério da Educação como um pacote", segundo Astakhov. O ministério é responsável pelos orfanatos e pelas adoções no país.

O embaixador dos EUA para a Rússia, John Beyrle, também condenou a atitude dos pais adotivos e afirmou que as autoridades do seu país irão verificar se algum crime foi cometido.

(Reportagem adicional de Andrew Quinn, em Washington)

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