UOL Notícias Notícias
 

11/04/2010 - 17h15

EUA e presidente afegão tomam medidas para encerrar desavença

Por Caren Bohan e Deepa Babington

WASHINGTON/KUNDUZ, Afeganistão (Reuters) - Estados Unidos e Afeganistão tomaram medidas públicas para encerrar um desentendimento, no domingo, quando o presidente afegão percorreu uma cidade com o comandante das forças dos EUA e da Otan, enquanto Washington o descreveu como "parceiro confiável".

O presidente Hamid Karzai e o general americano Stanley McChrystal se reuniram com centenas de líderes tribais em Kunduz. Foi a terceira viagem desse tipo feita nas semanas recentes e que, segundo a Otan, faz parte de sua estratégia de destacar o papel do governo afegão nos esforços militares.

Essa estratégia foi prejudicada este mês por uma disputa na qual Karzai incorreu no desagrado da Casa Branca ao acusar embaixadas ocidentais de cometerem fraude eleitoral.

Nos últimos dias, porém, como os dois lados reconhecem que precisam trabalhar em conjunto, eles vêm procurando colocar panos quentes sobre a disputa.

No mais forte gesto conciliatório feito até agora, a secretária de Estado americana Hillary Clinton e o secretário de Defesa Robert Gates defenderam Karzai publicamente na televisão americana no domingo, dizendo que os EUA o veem como "parceiro confiável".

"O relacionamento de trabalho com ele em base cotidiana ainda está indo bastante bem", disse Gates no programa "Face the Nation", da CBS, sentado ao lado de Clinton.

"Acho que o que vocês estão ouvindo hoje do secretário Gates e de mim é que nós o vemos como parceiro confiável", acrescentou Clinton.

Karzai tinha planos para discursar para tropas alemãs no norte de Kunduz no domingo, mas foram cancelados de último minuto, em um sinal da volatilidade da região antes pacífica. Moradores locais e forças alemãs disseram que foguetes caíram perto da base alemã.

Os ataques do Taliban vêm aumentando em Kunduz, e a previsão é que a região se torne uma das principais frentes de batalha nos próximos meses.

"Peço ao Taliban, ao Taliban de Kunduz: Irmãos, venham e digam o que querem dizer, mas não o digam com armas", disse Karzai aos líderes reunidos. "Vocês dizem: 'Há estrangeiros aqui'. Mas, enquanto vocês continuarem combatendo, eles não irão embora."

Mais tarde, Karzai e membros de seu gabinete assistiram a uma grande sessão de planejamento estratégico em uma base da Otan em Cabul, ao lado de representantes dos EUA e da Otan. O enviado dos EUA ao Afeganistão e Paquistão, Richard Holbrooke, disse que a presença de Karzai "simboliza de maneira muito concreta que estamos consultando seu governo".

Mas as tensões entre afegãos e estrangeiros continuam fortes, mesmo assim.

No sul do país, centenas de pessoas promoveram um protesto contra uma organização humanitária italiana que opera um hospital no qual funcionários foram acusados de conspirar para matar um governador provincial.

Manifestantes ficaram em frente ao hospital em Lashkar Gah, capital da província mais violenta do país, Helmand, gritando "morte à Emergência!". "Emergência" é o nome da organização humanitária sediada em Milão que administra um hospital na cidade.

(Reportagem adicional de Mohammad Hamed em Kunduz, Abdul Malek em Lashkar Gah, Sayed Salahuddin e Peter Graff em Cabul, Emily Kaiser em Washington e Roberto Bonzio em Milão)

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host