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12/04/2010 - 16h45

OMS admite falhas com relação à pandemia de gripe

Por Stephanie Nebehay

GENEBRA (Reuters) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu na segunda-feira ter falhado ao lidar com a pandemia da gripe H1N1, incluindo o fato de não ter comunicado as incertezas sobre o novo vírus à medida em que ele se disseminava pelo mundo.

Keiji Fukuda, o principal especialistas da OMS em influenza, afirmou que o sistema de seis fases da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para declarar uma pandemia provocou confusão sobre o vírus da gripe, conhecida como suína, que por fim não era tão mortal como a amplamente temida influenza aviária.

"A realidade é que há uma enorme quantia de incerteza (numa pandemia). Acho que não transmitimos a ideia de incerteza. Isso foi interpretado por muitos como um processo não transparente", afirmou Fukuda.

Ele falou em um encontro de três dias com 29 especialistas em gripe convocados para revisar a condução pela OMS da primeira pandemia de influenza em 40 anos.

Os críticos afirmam que a OMS criou pânico com o vírus da gripe H1N1, que acabou sendo de efeito moderado, e levou os governos a estocarem vacinas que não foram usadas.

Alguns questionaram as relações da agência com a indústria farmacêutica, depois dos lucros de empresas como GlaxoSmithKline e Sanofi-Aventis com a produção da vacina do H1N1.

A delegação do Quênia criticou a agência da ONU por não garantir que os países em desenvolvimento recebessem uma quantia justa das vacinas desenvolvidas contra o vírus.

"Não é justo ter vacinas e medicamentos novos e depois eles serem tão caros que a maioria das pessoas pobres nos países em desenvolvimento não pode ter acesso a eles", disse o representante do Quênia. "Essa não é uma situação que deveria ser tolerada."

Até agora, 31 países mais pobres, incluindo Afeganistão, Cuba, Quênia e Mianmar, receberam suprimentos limitados da vacina doados por laboratórios farmacêuticos e por países do Ocidente, via OMS.

A delegação da Índia sugeriu que, no caso de emergência em saúde pública, as patentes de drogas vitais deveriam ser suspensas em linha com o acordo Trips, da Organização Mundial do Comércio, sobre propriedade intelectual.

O H1N1, que surgiu nos EUA e no México há quase um ano, matou 17.770 pessoas em 213 países, de acordo com a OMS, que declarou a existência de uma pandemia em junho.

A OMS precisará de mais um ano ou dois depois de a pandemia ser declarada encerrada a fim de determinar a taxa de mortalidade final do vírus, que deve ser muito mais alta. Oficialmente, a pandemia ainda está acontecendo.

O Banco Mundial estimou que os países gastaram 4 bilhões de dólares no desenvolvimento de planos de prontidão para a pandemia e de resposta aos surtos, de acordo com a delegação norte-americana.

"O influenza é um oponente imprevisível e formidável. A ameaça de uma pandemia severa não diminuiu" , disse o delegado dos EUA.

O vírus da gripe aviária (H5N1) - que matou 60 por cento dos infectados desde 2003 - "injetou um alto nível de temor sobre a pandemia seguinte", afirmou Fukuda.

Foi difícil cumprir as demandas públicas por aconselhamento na medida em que o vírus H1N1 espalhou-se rapidamente pelas fronteiras e os blogs geraram especulação e críticas, de acordo com a autoridade da OMS.

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