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12/04/2010 - 10h34

Protestos prosseguem na Tailândia, mercados desabam

Por Nopporn Wong-Anan

BANGCOC (Reuters) - Manifestantes tailandeses contrários ao governo marcharam na segunda-feira pelas ruas de Bangcoc carregando caixões para simbolizar os mortos em incidentes do fim de semana, que derrubaram ações e levaram o maior banco do Sudeste Asiático a desfazer suas recomendações positivas para a economia local.

Há no entanto alguns sinais de que ambos os lados estariam dispostos a recuar depois dos violentos confrontos das forças de segurança contra os manifestantes "camisas vermelhas", que deixaram 21 mortos e mais de 800 feridos.

Os manifestantes mantêm sua exigência de que o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva dissolva o Parlamento, convoque eleições e deixe o país.

Até a declaração do estado de emergência na semana passada, a Tailândia e o restante do Sudeste Asiático vinham recebendo uma onda de investimentos estrangeiros, num total de 1,8 bilhão de dólares entre 22 de fevereiro e 7 de março.

"Até uma semana atrás estávamos muito animados com a Tailândia", disse Piyush Gupta, executivo-chefe do DBS, maior banco do Sudeste Asiático. "Depois do fim de semana, não vale mais o que estava escrito."

O próprio Abhisit oferece poucos sinais de como poderia resolver esta crise, que há cinco anos opõe a elite urbana aos pobres rurais do país, muitos deles simpatizantes do ex-premiê Thaksin Shinawatra, deposto em 2006.

O clima entre os milhares de manifestantes, circulando pela cidade em caminhões, motonetas e táxis "tuk-tuks", continua sendo desafiador, e eles continuam ocupando os seus redutos em Bangcoc, um deles num bairro comercial onde grandes shopping centers foram fechados.

"Vamos continuar a nos manifestar até que Abhisit não seja mais o primeiro-ministro", disse Jatuporn Prompan, líder dos camisas vermelhas a jornalistas.

Numa entrevista coletiva transmitida pela TV, Abhisit se referiu aos manifestantes como "terroristas, usando inocentes concidadãos que vieram pedir democracia, para incitar a baderna a fim de provocar uma mudança significativa no país".

Os militares dizem que não querem mais confrontos com os manifestantes, mas nenhuma trégua oficial entre os dois lados foi declarada.

ELEIÇÕES ANTECIPADAS?

O jornal Bangkok Post, citando fontes não-identificadas, disse que Abhisit pode dissolver o Parlamento em seis meses, três antes do que havia proposto anteriormente. Pela lei, ele precisa realizar eleições até o fim de 2011.

Os militares tailandeses não gostariam de ver os simpatizantes de Thaksin de volta ao poder, mas muitos soldados oriundos das mesmas origens pobres dos manifestantes simpatizam com eles.

"Meu entendimento é que (o protesto) vai acabar com a dissolução da Casa (Parlamento), embora alguns possam ter proposto um governo (de unidade) nacional. A melhor forma é que (as propostas) sejam discutidas e aceitas pelo bem da paz", disse o comandante militar Anupong Paochinda, que está deixando o cargo, numa entrevista coletiva.

Os confrontos de sábado, alguns em áreas turísticas da capital, terminaram com a retirada das forças de segurança, no final da noite. A cidade está tranquila desde então, enquanto as autoridades cogitam se retomam a repressão potencialmente violenta aos protestos, que já duram um mês, ou fazem concessões quanto à convocação de eleições.

A monarquia tailandesa, que costuma intervir em crises, se mantém em silêncio. O rei Bhumibol Adulyadej, de 82 anos, está hospitalizado desde setembro.

FRENESI NOS MERCADOS

O rendimento dos títulos tailandeses caiu, refletindo a aposta dos investidores de que o Banco Central irá adiar a elevação dos juros, caso a crise política atrapalhe a recuperação econômica.

"Acreditamos que os danos da turbulência política no fim de semana é significativo o suficiente para que o comitê de política monetária segure a respiração para um aumento na política (de juros)", disse Thammarat Kittisiripat, economista daTisco Securities, que agora espera um aumento de juros de 0,25 ponto percentual só em junho, e não mais em abril.

A aversão ao risco fez com que os derivativos de crédito conhecidos como CDS ("credit default swaps"),, que servem como seguro contra calotes na dívida local, subissem 5 pontos, chegando a 105/111, maior valor desde 3 de março.

A Bolsa teve queda de 4 por cento, já revertendo a maior parte dos ganhos registrados desde o começo do ano.

Prapas Tonpibulsak, diretor de investimentos da Ayudhya Fund Management, previu que a Bolsa ainda cairá até 10 por cento em curto prazo.

"Isso vai afetar o sentimento do mercado acionário certamente, porque a escala dos confrontos é além das expectativas. O turismo e negócios correlatos serão os primeiros a serem afetados", disse ele.

As ações da principal empresa aérea nacional, a Thai Airways, caíram quase 14 por cento. A Airports of Thailand, que administra os principais aeroportos, teve queda de 4,73 por cento.

O turismo, que representa 6 por cento do PIB e gera 1,8 milhão de empregos diretos, já está sofrendo, especialmente depois das imagens de violentos confrontos na rua Khao San, que fica no centro antigo da cidade e é muito frequentada por mochileiros.

Mais de cem voos haviam sido fretados para levarem turistas chineses para o Songkran (ano-novo tailandês), de 13 a 15 de abril. Cerca de 70 já haviam sido cancelados antes do fim de semana, e agora todos foram suspensos.

Vincent Ho, diretor-associado da agência de cotação de crédito Fitch's Asia Sovereign, disse que a posição fiscal da Tailândia se deteriorou desde o começo da recessão global e ainda pode piorar.

Uma forte queda no faturamento com o turismo poderia agravar as pressões fiscais num momento em que o governo deve manter os gastos, especialmente se eleições forem convocadas.

(Reportagem adicional de Vithoon Amorn e Viparat Jantraprap em Bangcoc e Umesh Desai em Hong Kong)

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