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12/04/2010 - 12h41

Últimas imagens de cinegrafista morto na Tailândia mostram caos

Por Nick Macfie

BANGCOC (Reuters) - Uma gravação de sete minutos feita pelo cinegrafista da Reuters Hiro Muramoto mostra como uma fragmentada manifestação numa noite agradável em Bangcoc de repente virou um incidente letal.

As imagens são parte do último trabalho feito por Muramoto, 43 anos, pai de dois filhos pequenos. Ele morreu no sábado, depois de ser baleado no peito por desconhecidos.

O filme resume o medo, a tensão e o repentino e assustador derramamento de sangue que ocorrem após um mês de protestos dos "camisas vermelhas" tailandeses, após um mês de manifestações em geral festivas e pacíficas contra o governo.

Muramoto, japonês que trabalhou por mais de 15 anos para a Reuters em Tóquio, chegara na quinta-feira à Tailândia. Ele foi hospitalizado dois dias depois, já sem pulsação, por causa de uma bala que entrou pelo peito e saiu pelas costas.

Sua câmera foi entregue à Reuters pelos manifestantes. Não se sabe se as imagens descritas neste texto foram realmente as últimas que ele fez.

Os manifestantes exigem a renúncia do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva e a convocação de eleições imediatas. Soldados têm usado gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os "camisas vermelhas", que reagem com bombas incendiárias e outras armas.

A gravação de Muramoto começa atrás do cordão militar e diante do Monumento à Democracia, cenário de graves incidentes em 1992, perto da ponte Phan Fah, no centro antigo da capital.

A tropa de choque aparece com seus rifles erguidos para o alto. Há sons contínuos de tiros. Um soldado olha duas vezes para Muramoto, com ar nervoso, mas não ameaçador.

Então ocorre uma explosão a poucos metros do local onde Muramoto está, o que derruba quatro soldados e espalha estilhaços e fumaça. Dois militares se levantam e saem mancando.

Outro cinegrafista passa freneticamente por Muramoto. Soldados com escudos também esbarram nele. Muramoto caminha de costas, lentamente, e continua gravando.

A câmera foca um soldado caído, com o olhar assustado e um sangrento ferimento no pescoço. Colegas tentam ajudá-lo.

Em seguida, soldados são vistos arrastando pelos braços um colega ferido. Outro corpo inerte é carregado. A câmera mostra um rastro de sangue no asfalto, sob cartazes alusivos ao Songkran, o festivo ano-novo tailandês, que acontece nesta semana.

Os soldados recuam e de repente a câmera muda de ângulo, para mostrar as fileiras de manifestantes. A maioria porta paus, e alguns agitam escudos, aparentemente tomados dos soldados. Muitos acenam na direção de alguém atrás da câmera.

Alguns manifestantes falam freneticamente aos soldados, outros atiram objetos no ar. Aparentemente ninguém na cena presta atenção à câmera, que continua funcionando.

Mas é aparentemente neste ponto, num cruzamento, que outras gravações mostram homens armados e correndo. Eles não vestem nem fardas nem camisas vermelhas, e sim trajes civis escuros.

O governo tem dito que uma "terceira força" estaria envolvida nos protestos, e promete investigar as circunstâncias da morte de Muramoto.

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