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15/04/2010 - 21h02

Candidatos britânicos ficam na defensiva em debate histórico

Por Estelle Shirbon

MANCHESTER, Grã-Bretanha (Reuters) - Os três principais candidatos a primeiro-ministro da Grã-Bretanha fizeram na quinta-feira o primeiro debate ao vivo pela TV na história do país, em meio à disputa eleitoral mais acirrada em duas décadas.

Milhões de britânicos continuam sem saber em quem vão votar no próximo dia 6, e o debate de 90 minutos foi uma oportunidade crucial para os candidatos deixarem sua marca numa campanha que em geral ainda não empolgou o eleitorado.

"Esta não é uma eleição qualquer. Acabamos de passar pela maior crise financeira global das nossas vidas", disse o primeiro-ministro Gordon Brown, cujo Partido Trabalhista está há 13 anos no poder.

"Cada promessa que vocês ouvem de cada um de nós esta noite depende de uma coisa -- uma economia forte", disse Brown, ex-ministro das Finanças do governo de Tony Blair, apresentando-se como o melhor guardião da recuperação.

Seu principal rival é David Cameron, do Partido Conservador, que lidera as pesquisas por uma estreita margem. Cameron culpou Brown e os trabalhistas pela situação dos serviços públicos, que ele qualificou como ineficiente e caótica.

"Agora há uma grande escolha nesta eleição. Podemos continuar como estamos, ou podemos dizer: não, a Grã-Bretanha pode fazer muito melhor. Podemos lidar com as nossas dívidas, podemos fazer nossa economia crescer", disse Cameron.

O terceiro convidado, num raro momento em que foi posto em pé de igualdade com os líderes dos dois partidos dominantes, foi o liberal-democrata Nick Clegg, que denunciou seus rivais como representantes da "velha política" e se apresentou como alguém que tem algo de novo a oferecer aos eleitores. "Acho que temos uma oportunidade fantástica de fazer as coisas diferentes para variar", disse ele.

Pode caber a Clegg decidir quem será o próximo primeiro-ministro, caso nem os trabalhistas nem os conservadores obtenham maioria absoluta nas urnas, como sugerem as pesquisas.

Foi a primeira vez na história britânica que os candidatos aceitam um debate, como é comum nos EUA e no Brasil. A duras penas, seus representantes aceitaram um conjunto de 76 regras, tais quais a proibição de que a plateia aplaudisse, exceto no começo e no final do debate.

O debate, realizado em Manchester (norte da Inglaterra), foi focado em questões domésticas. Haverá mais um debate sobre assuntos internacionais, e outro sobre economia.

Cameron, 43 anos, foi executivo de relações públicas de uma TV, é jovial e fala com desenvoltura sem anotações. Durante o debate, tentou projetar uma imagem de seriedade, sempre com cenho carregado.

Brown, 59 anos, era visto como azarão antes do debate, pois é conhecido por sua oratória arrastada e pela tendência a citar estatísticas. Mas ele se mostrou surpreendentemente relaxado e foi o primeiro a fazer piada.

Ao falar de um cartaz eleitoral dos conservadores em que sua foto aparece ao lado de críticas, Brown agradeceu Cameron pela publicidade gratuita, acrescentando que as imagens estavam mais benevolentes do que a maioria das fotos publicadas nos jornais.

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