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19/04/2010 - 16h42

Companhias aéreas e cientistas divergem sobre impacto de vulcão

Por Tim Hepher

PARIS (Reuters) - Especialistas divergem sobre como medir a dispersão das cinzas vulcânicas e sobre quem deve decidir quando é seguro viajar de avião, enquanto milhões de viajantes permanecem no solo e os prejuízos superam 1 bilhão de dólares em razão da crise provocada pelas cinzas da Islândia.

"Eu chamaria isso de bagunça europeia porque não nos concentramos nos números e nos fatos", disse Giovanni Bisignani, diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), na segunda-feira.

"A Europa estava usando uma abordagem matemática teórica e não é isso do que você precisa. Precisávamos que alguns voos de teste fossem para a atmosfera e avaliassem o nível de cinzas para tomar decisões", completou ele à Reuters numa entrevista.

A British Airways e a Air France-KLM afirmaram ter feito voos de teste e não terem encontrado dificuldades com as cinzas expelidas por um vulcão da Islândia, cuja erupção provocou o cancelamento de milhares de voos e causou transtorno em todo o mundo.

Há uma grande diferença de opiniões entre os especialistas da academia e os das companhias aéreas, mas a principal autoridade da União Europeia para os transportes disse que a UE não faria concessões com relação à segurança. A Otan levou a ameaça a sério o bastante para limitar os exercícios militares depois de verificar um acúmulo de vidro vulcânico nos motores de um caça.

Poucas pessoas contestam o dano que a cinza vulcânica pode provocar dentro de uma turbina moderna, depois que um jumbo da British Airways evitou um desastre por pouco na Indonésia em 1982, quando todas as suas quatro turbinas pararam de funcionar a 37 mil pés de altitude em razão de cinzas.

As cinzas vulcânicas contêm minúsculas partículas de pedra e silicatos que podem arranhar as superfícies aerodinâmicas e instrumentos e formar uma camada como se fosse de vidro dentro do motor.

Bisignani disse que os governos erravam ao impor a proibição das viagens aéreas no norte da Europa e afirmou que os tomadores de decisão deveriam considerar a possibilidade de formar "corredores" para repatriar os cerca de 7 milhões de passageiros presos ao redor do planeta.

Joachim Curtius, professor do Instituto para Ciências Atmosféricas e Ambientais da Universidade Goethe, em Frankfurt, defendeu a proibição e disse que faria sentido para as companhias aéreas instalar instrumentos nas aeronaves para medir as partículas do ar.

Atualmente apenas um pequeno número desses instrumentos, que custam dezenas de milhares de euros, é fabricado por ano.

Os pilotos não conseguem ver os bolsões de cinzas e um instrumento medindo as partículas do ar poderia alertar um piloto a tempo de reagir, por exemplo, voando a uma altitude menor, disse ele.

Apenas reduzir a altitude, no entanto, não é garantia de sucesso.

"Você poderia pensar que está seguro voando na faixa dos 20 mil pés em vez dos 40 mil pés, onde estão as cinzas, apenas para descobrir que o vento subitamente diminuiu e as cinzas estão agora em 20 mil pés", disse Stewart John, membro da Academia Real de Engenharia e ex-presidente da Sociedade Real Aeronáutica, da Grã-Bretanha.

(Reportagem adicional do escritório de Sydney, de Ron Popeski, Ben Hirschler, Matthias Blamont, Maria Sheahan, Gyles Beckford)

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