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22/04/2010 - 10h10

Barcelona e a família olímpica se despedem de Samaranch

MADRI (Reuters) - Barcelona, cidade natal de Juan Antonio Samaranch, se despediu nesta quinta-feira do ex-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), diante da presença de numerosas personalidades.

O velório de Samaranch, morto na quarta-feira aos 89 anos, vítima de insuficiência coronariana aguda, foi aberto para convidados às 10h (hora local) no Palau de la Generalitat, sede do governo catalão, e depois foi franqueado ao público.

Entre os participantes estão o príncipe de Astúrias, herdeiro da coroa espanhola, o secretário de Esportes do governo, Jaime Lissavetzky, e o político catalão Pascual Maragall, que era prefeito de Barcelona na época da Olimpíada de 1992, um marco na história da cidade.

O atual presidente do COI, Jacques Rogge, fez um discurso diante da família de Samaranch. "Hoje posso dizer que Samaranch foi o dirigente do COI com mais influência desde Pierre de Coubertin", declarou. "Samaranch fez tudo, fez dos Jogos o que são hoje."

Maragall qualificou o dirigente, que era presidente de honra perpétuo do COI, como um grande embaixador da cidade no mundo. "Mas para mim ficam duas imagens de Samaranch acima das outras: a de 17 de outubro de 1986, quando abriu o envelope e com satisfação autocontida disse (que os Jogos seriam dedicados) 'à la ville de Barcelona', e a de 9 de agosto de 1992, quando, sem se conter, encerou os Jogos Olímpicos proclamando-os como 'os melhores Jogos da história'", escreveu ele em artigo no El País.

Maragall encerra o texto com um "Gracias, Joan Antoni (nome de Samaranch em catalão)."

À tarde, haverá missa de corpo presente na catedral barcelonesa. O caixão será carregado por um grupo de desportistas.

Uma das figuras mais poderosas do mundo esportivo, tendo mantido sua influência sobre o movimento olímpico até quase o final da vida, Samaranch sofreu vários problemas de saúde nos últimos anos, com diversas internações.

Durante duas décadas, ele dirigiu o COI com absoluta autoridade. A celebração da Olimpíada de 1992 em Barcelona, que transformou a cidade para sempre, é considerada sua maior realização pessoal.

Seus admiradores destacam sua sutil habilidade política em momentos difíceis -- os boicotes aos Jogos de Moscou-80 e Los Angeles-84 -- e seus esforços para trazer o esporte profissional para a Olimpíada, transformando o evento em uma máquina de fazer dinheiro.

Seus críticos argumentam que muitos valores originais do movimento olímpico se perderam na busca pelo sucesso comercial, dando lugar a casos de suborno e doping.

Samaranch, que nasceu em 17 de julho de 1920, foi um talentoso jogador de hóquei sobre patins e dirigiu a seleção espanhola campeã mundial. Depois, fez carreira na política desportiva durante o regime franquista, e obteve um lugar no COI em 1966. Foi o sétimo presidente da entidade, de 1980 a 2001.

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