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25/04/2010 - 17h40

Líder da oposição afirma que Irã está em crise

TEERÃ (Reuters) - O líder da oposição iraniana Mirhossein Mousavi afirmou neste domingo em seu website, Kaleme, que o Estado islâmico está em crise e acusou o governo de usar o Islamismo para justificar a repressão de seus adversários.

Os resultados oficiais da votação de 12 de junho, mostrando uma vitória esmagadora do presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad, geraram conflitos no Irã com protestos de rua por partidários do candidato derrotado Mousavi, um moderado que afirma ter ocorrido fraude no processo eleitoral.

As forças de segurança reprimiram os protestos, mas 11 meses depois da votação, Mousavi e seus aliados se recusam a retroceder, dizendo que o movimento pela reforma vai continuar. Autoridades rejeitam as alegações de fraudes eleitorais.

"A única maneira para o Irã sair da crise seria vocês (os governantes) alterarem a abordagem," disse Mousavi, após meses de relativo silêncio. "Que Deus acabe com a crise em favor da nação."

Após as eleições presidenciais, a República Islâmica mergulhou em sua pior crise interna nas três últimas décadas, aprofundando as divisões no cenário político do país produtor de petróleo.

Mousavi acusou o governo de pressionar a oposição, em nome do Islamismo. "O Islã não bate em ninguém, não coloca ninguém na prisão... e não mantém ninguém na prisão," disse Mousavi, em referência ao grande número de simpatizantes da oposição detidos desde a eleição.

"Não pensem que o movimento de reforma não existe mais. Tais medidas não podem bloquear o caminho da reforma."

As autoridades frequentemente culpam a oposição de tentar derrubar a instituição clerical, que também está em confronto com o Ocidente sobre o programa nuclear iraniano.

Mousavi disse apoiar o sistema de governo islâmico, contrariando as alegações dos rivais de que a oposição quer derrubar a liderança religiosa.

"Acusar a oposição de estar relacionado com os inimigos do país não está em consonância com os interesses do país," disse ele.

Mousavi, que mais uma vez reiterou que a votação foi fraudada, exortou as autoridades a libertar os presos políticos e anular a proibição de alguns jornais e websites.

"Nós não podemos aceitar o fechamento de jornais e prisão daqueles que falam da liberdade e dos direitos das pessoas," disse Mousavi. "Isso é contra o Islamismo."

Cerca de uma dezena de publicações pró-reforma foram banidas desde a votação, sob acusações de disseminarem mentiras.

Milhares de pessoas foram presas depois da votação de junho. Mais de 100 pessoas, incluindo autoridades reformistas, receberam penas de prisão de até 16 anos. O Irã já executou duas pessoas por enforcamento, com julgamentos pós-votação.

Os países ocidentais e grupos de direitos humanos condenaram veementemente as execuções e a repressão dos protestos pelo governo após a eleição.

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