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27/04/2010 - 13h27

Governo tailandês promete agir contra manifestantes

Por Ambika Ahuja e Chalathip Thirasoonthrakul

BANGCOC (Reuters) - Manifestantes antigoverno na Tailândia forçaram o sistema de trens elevados de Bangcoc a fechar na terça-feira, e o governo avisou que tomará medidas mais duras para reprimir a turbulência crescente em uma crise que já dura sete semanas e deixou 26 mortos.

Manifestantes trajando camisetas vermelhas disseram que planejam lançar uma ofensiva na quarta-feira com protestos móveis diários em vários pontos de Bangcoc -- um passo provocativo, desafiando o estado de emergência, que pode levar a choques com tropas militares ou com grupos de manifestantes rivais.

"Vamos distribuir panfletos e criar uma compreensão entre a população de Bangcoc sobre o que estamos fazendo", disse um dos líderes dos "camisas-vermelhas", Kwanchai Praipanna. "Se as tropas nos bloquearem, vamos romper as barreiras nas ruas."

O vice-primeiro-ministro Suthep Thuangsuban prometeu ação para impedir a ação dos manifestantes. "Está claro que os manifestantes não estão se reunindo pacificamente", disse ele. "Não seremos mais tolerantes com essa gente."

As esperanças de que o impasse pudesse chegar ao fim foram desfeitas no fim de semana, quando o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva rejeitou uma proposta dos manifestantes de realização de uma eleição em três meses, dizendo que uma eleição imediata poderia resvalar para a violência e negando-se a negociar sob pressão.

Os "camisas-vermelhas", partidários do ex-primeiro-ministro deposto Thaksin Shinawatra, reforçaram seu acampamento no coração comercial de Bangcoc, que já obrigou ao fechamento de quatro grandes shoppings, preparando-se para o que acreditam que será uma operação repressiva iminente.

"Não tenho medo de eles nos dispersarem", disse o eletricista Niwet Swagangwong, 38 anos. "Estou farto de todas as ameaças e os rumores. Se eles querem nos obrigar a dispersar, talvez devam fazer isso mesmo, e aí veremos quem vai ganhar e quem são os vilões da história."

Mas o Exército, que em 10 de abril liderou uma operação fracassada contra um ponto de concentração de "camisas-vermelhas", na qual 25 pessoas morreram e 800 ficaram feridas, não quer ser arrastado para um confronto com civis.

"O Exército preferiria ver o governo primeiro esgotar os meios de ação políticos", disse à Reuters uma fonte militar, pedindo anonimato porque não estava autorizada a falar com a mídia.

Os "camisas- vermelhas", em sua maioria membros das camadas pobres rurais e urbanas, criaram caos no trânsito de Bangcoc nesta terça-feira ao empilhar pneus sobre a plataforma de uma estação ferroviária ao lado do local de seus protestos, por temerem que as tropas pudessem usar o sistema de trens elevados para atacá-los desde o alto.

A empresa operadora dos trens, BTS, fechou a rede por quase quatro horas durante o horário do rush matinal. Em Bangcoc, cidade de aproximadamente 15 milhões de habitantes, os trens transportam cerca de 450 mil passageiros por dia.

Analistas dizem que o impasse e a possível deterioração da ordem podem se arrastar por meses, prejudicando gravemente a segunda maior economia do sudeste asiático, com repercussões negativas na confiança dos consumidores e na indústria do turismo, especialmente na capital.

O governo disse na segunda-feira que, se os protestos continuarem por mais três meses, podem subtrair 0,64% do crescimento econômico tailandês de 4,5% previsto para 2010.

Na terça-feira o gabinete aprovou medidas para ajudar as empresas afetadas pelos protestos, disse um porta-voz do governo.

O mercado acionário tem estado volátil, apesar de um início positivo na temporada dos resultados trimestrais. As ações fecharam em baixa de cerca de 0,30%, condizentes com outros mercados regionais.

(Reportagem adicional de Viparat Jantraprap)

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