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27/04/2010 - 18h40

Indústria de máquina agrícola do Brasil ferve com juro barato

Por Roberto Samora

RIBEIRÃO PRETO (Reuters) - Os fabricantes de máquinas agrícolas no Brasil vivem um momento de efervescência este ano que contrasta com a fraqueza dos atuais preços de algumas commodities agrícolas no mercado interno.

Mas para representantes da indústria presentes na Agrishow de Ribeirão Preto, uma das maiores feiras de tecnologia agropecuária do mundo, essa ebulição nas vendas acontece muito pelas baixas taxas de financiamentos oferecidas por programas governamentais.

Uma ampliação na variedade de colheitadeiras, plantadeiras e tratores pelas indústrias, que cada vez mais lançam equipamentos com alta tecnologia na medida para os produtores --sejam eles pequenos ou grandes--, também atiça o interesse de agricultores na busca por maiores produtividades num momento em que as margens do negócio são comprimidas pelo câmbio.

"O fato mais importante que aconteceu na agricultura este ano na minha opinião é a taxa de financiamento mais acessível do PSI (Programa de Sustentação do Investimento)", afirmou o diretor comercial da Valtra, Paulo Beraldi, que já participou de 13 edições da Agrishow e acredita que a feira de 2010, aberta na segunda-feira, teve o seu melhor início em dez anos.

O PSI, lançado em meados do ano passado em meio à crise de crédito, foi prorrogado até o final do ano. O programa do BNDES, que até junho oferecerá financiamentos para grandes produtores com juros de 4,5 por cento ao ano, vai funcionar no segundo semestre com taxa de 5,5 por cento, mas ainda assim bem abaixo do que cobra o mercado.

"Com valores e taxas de juros desse tipo o agricultor pode comprar máquina, porque todo mundo quer aumentar a sua produtividade", acrescentou Beraldi, da Valtra, segunda empresa de tratores no Brasil, atrás apenas da Massey Ferguson, que também está sob o guarda-chuva do grupo AGCO.

Apesar do otimismo, as indústrias não divulgam suas previsões para o ano nem de vendas na Agrishow. Mas a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) prevê que as empresas ampliarão em até 30 por cento o faturamento em 2010, após queda de 28 por cento em 2009.

No primeiro trimestre, os números da Abimaq para o setor, que excluem colheitadeiras e tratores, mostram um crescimento de 29,3 por cento no faturamento, para 1,44 bilhão de reais.

"Os preços de grãos estão muito baixos, soja, milho, trigo, isso não estimula o produtor a fazer investimento... Por outro lado, existem condições muito interessantes de financiamento", afirmou Celso Casale, presidente da câmara de equipamentos agrícolas da Abimaq.

Organizadores da Agrishow esperam que os negócios gerados na feira somem 860 milhões de reais, montante que igualaria os números de 2008, pré-crise.

JUROS COMPENSAM

A esperada safra recorde do Brasil este ano, em torno de 146 milhões de toneladas, também é um fator a se considerar como impulso nos negócios, na avaliação do diretor comercial da John Deere do Brasil, Werner Santos.

"O momento é muito importante, e alguns programas do governo estão ajudando muito a mecanização", afirmou Santos, destacando, além do PSI, o programa Mais Alimentos, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), e o Pró-Trator, do governo de São Paulo, que oferecem aos pequenos produtores condições ainda melhores de financiamento.

Na Agrishow, o ministro Guilherme Cassel, do MDA, disse que o Mais Alimentos, que financiou em dois anos 25 mil tratores com taxa de 2 por cento ao ano, será agora permanente.

"As taxas de financiamentos melhores compensam parte das perdas dos preços das commodities.... E o produtor sabe que em um momento ou outro ele vai precisar fazer investimentos, não somente baseado no preço da commodity de hoje", declarou o gerente comercial da New Holland, Luiz Feijó, que também está otimista com os negócios na Agrishow.

Feijó ressaltou que a indústria brasileira oferece produtos cada vez melhores, para todos os tipos de agricultores, o que desperta a intenção de compra de mais produtores.

"Máquinas melhores trazem uma produção maior, e o produtor quer aumentar a sua produção no menor espaço de tempo com o menor custo", avaliou Alfredo Miguel Neto, diretor de Assuntos Corporativos para América do Sul da John Deere, que lidera as vendas de colheitadeiras no Brasil. "Estamos bastante otimistas para os negócios deste ano."

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