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27/04/2010 - 13h27

Mesmo sem Ciro, hipótese de 2o turno ainda é forte

Por Natuza Nery

BRASÍLIA (Reuters) - A Executiva do PSB acabará nesta terça-feira com as incertezas sobre a candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. Fará isso à custa de desgaste e em nome de uma concertação política de difícil digestão na militância socialista: a aliança com o PT.

Pela sobrevivência regional nestas eleições --e de outras articulações mais paroquiais--, o partido abre mão de colocar-se como alternativa. Deixa, com isso, Ciro para trás.

Levar a disputa ao segundo turno era o argumento do deputado pelo Ceará para manter-se no páreo. O "radical livre", como é chamado por correligionários, não convenceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de sua estratégia.

Também não persuadiu seu próprio entorno. Foi descartado da disputa antes mesmo da reunião oficial desta terça por integrantes de alto escalão da legenda, que adiantaram à imprensa o resultado do encontro fechado de Ciro com o presidente do PSB, Eduardo Campos, e o vice, Roberto Amaral, na quinta passada.

Lula fez um cálculo político para derrubar a tese do aliado e se serve de números. O mais recente Datafolha, divulgado em 17 de abril, trouxe um dos cenários sem o parlamentar. Nele, o pré-candidato do PSDB, José Serra, aumenta de tamanho e chega a 42 por cento. A pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, sobe a 30 por cento; e a senadora Marina Silva, do PV, atinge 12 por cento. Vence quem conquistar 50 por cento mais um dos votos válidos.

Somados os dotes das duas postulantes --portanto 42 por cento--, mais os candidatos nanicos, o prognóstico do segundo turno é bastante forte. Mas há muitos que apostam no contrário.

"O Ciro era a garantia do segundo turno. Sem ele, o quadro provavelmente se encerrará no primeiro. O Lula sabe disso e o Serra também", disse à Reuters o deputado Márcio França (SP), também do PSB.

Lula, com toda a força que teve nas campanhas de 2002 e 2006, não alcançou vitória no primeiro turno. Claro que, em ambos os casos, havia mais nomes competitivos do que agora.

FISSURAS

A novela em torno da candidatura Ciro Gomes deixará uma herança desagradável à cúpula do PSB.

Na tarde desta terça, a legenda se prepara para divulgar um comunicado com cerca de 20 Estados se posicionando contra a candidatura própria. A sigla deve também sinalizar, se não sacramentar de uma vez por todas, a adesão à chapa oficial de Dilma. Jogará o papel do viúvo que se casa no exato dia em que enterrou a primeira mulher.

Haverá consequências. A juventude do PSB --reativa aos acordos políticos com o PT-- lançou um manifesto pró-Ciro.

O governador de Pernambuco, presidente da legenda, trabalhou nos bastidores para que o deputado não saísse candidato e deve sofrer desgastes.

A cabeça de Ciro deve render-lhe o apoio do PT em alguns poucos Estados e os pés de Lula em seu palanque pela reeleição. Não podia, em suas equações, prescindir da foto ao lado do presidente, popularíssimo no Nordeste.

Apesar da união eleitoral e parlamentar recorrente com o PT, o que desagrada a militância e a cúpula da sigla é a posição centralizadora dos petistas que não cedem aos apelos do aliado. No Congresso e o no governo, há uma queixa bastante usual: o PT privilegia o PMDB, que trai, em detrimento do PSB, um escudeiro fiel.

Para sacramentar a aliança nacional, os socialistas apresentam uma fatura até modesta, mas de difícil entrega. Querem que o PT "libere" partidos da base para formação de parcerias nos Estados. Desejam que PR em São Paulo apóie o empresário Paulo Skaf ao governo.

Exigem comportamento semelhante do PCdoB no Espírito Santo e Rio Grande do Sul a seus candidatos. Reivindicam o apoio direto petista no Amapá, Piauí e Distrito Federal, além de neutralidade na Paraíba.

"E o PT é dono de alguém para liberar? Isso não existe. Vamos ceder algumas coisas, mas não tudo", afirmou um dirigente petista à Reuters, citando os casos do DF, Pernambuco e Ceará.

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