UOL Notícias Notícias
 

27/04/2010 - 20h36

PSB descarta Ciro para ficar com Dilma nas eleições

Por Natuza Nery

BRASÍLIA (Reuters) - Mesmo contra o desejo da militância e sob o risco de sangrar a cúpula do partido, o PSB decidiu nesta terça-feira retirar o deputado Ciro Gomes da disputa eleitoral deste ano.

Em uma só tacada, a Executiva socialista acabou cumprindo dois desejos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: excluiu seu postulante do processo e sinalizou apoio à pré-candidata do PT, Dilma Rousseff.

Vinte diretórios estaduais ficaram contra a candidatura própria, ante sete a favor: Maranhão, Rio Grande do Sul, Rondônia, Pará, Mato Grosso do Sul, Ceará e Minas Gerais.

A formalização da aliança nacional com o PT virá em 17 de maio. Até lá, as duas siglas tentam se entender sobre divergências nos Estados.

"(Apoiar Dilma) É o caminho natural do PSB", disse o presidente do partido, Eduardo Campos, ao anunciar a decisão.

Exposto durante todo esse processo, Ciro Gomes deve "sumir" por 30 dias. Encontra-se ainda nesta noite Campos, maestro da decisão desta tarde.

Foi ele quem comunicou Ciro de que não estaria na disputa de outubro. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, também recebeu a informação por telefone minutos depois.

Governador de Pernambuco e candidato à reeleição com suporte petista, Eduardo Campos acabou diretamente vinculado ao rito que descartou o parlamentar do jogo eleitoral de 2010.

Muito próximo a Lula, não teria sido entusiasta da candidatura Ciro Gomes, conforme fontes ligadas a ele. A militância socialista mostrava o desejo de liderar uma chapa presidencial.

Para rebater avaliações como essa, recorreu à realidade imposta. Argumentou que a construção de um nome com pouco mais de um minuto de TV para programa eleitoral; sem coligação partidária e com Estados dependentes de acordos com o PT inviabilizaram o projeto solo.

"Isso é resultado de uma conjuntura política que foi formando dois grandes blocos de força (PT de Dilma e o PSDB do pré-candidato José Serra)."

Segundo o dirigente, o PSB não colocou a necessidade de costuras locais acima de Ciro. "Nós, em hora nenhuma, condicionamos essa decisão a qualquer acordo eleitoral."

VITÓRIA DE LULA

Venceu a vontade de Lula de ter só um nome do campo governista. Ele e a cúpula de seu partido sempre consideraram o risco de reeditar no plano nacional a chamada "Operação Pernambuco". Nela, Eduardo Campos --terceiro lugar nas pesquisas para o comando do Estado em 2006-- acabou vitorioso às custas da derrota do PT.

Sondagens eleitorais vinham dando o enfraquecimento e a queda estatística de Ciro. Na via oposta, o parlamentar, que mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo sob a hipótese de disputar o Palácio dos Bandeirantes, sustentava a tese de que sua presença no páreo forçava uma definição apenas em segundo turno. Os cenários colocados hoje, mesmo sem ele, ainda apontam nesse sentido.

"As eleições de outubro não estão definidas. A aliança da oposição representa um desafio real aos socialistas e outras forças populares. O PSB está pronto para ampliar sua presença nos governos estaduais e no Senado, e duplicar sua representação na Câmara dos Deputados", dizia a nota oficial da Executiva.

Quanto ao papel de Ciro daqui para frente, sua adesão à campanha de Dilma em busca de votos ainda se coloca como interrogação.

"Não tenho dúvidas de que Ciro vai seguir a decisão que o partido tomar", garantiu Eduardo Campos.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host