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28/04/2010 - 14h12

Bradesco tem maior lucro de bancos privados no Brasil

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O Bradesco seguiu colhendo os frutos da retomada da economia brasileira, ao abrir a temporada de balanços dos grandes bancos do primeiro trimestre de 2010 com um lucro turbinado pelo aumento da carteira de crédito e despesas menores com provisão para perdas com calotes.

O banco anunciou nesta quarta-feira que teve no período um lucro líquido de 2,103 bilhões de reais, 22 por cento superior ao obtido em igual etapa de 2009, quando o Brasil enfrentava o ápice dos efeitos da crise financeira global.

Ao mesmo tempo em que o lucro líquido foi o maior de um banco privado do país da história, segundo a Economática, o recorrente, de 2,147 bilhões de reais, ficou levemente acima da projeção média de 11 analistas consultados pela Reuters.

"Esse resultado deveu-se à combinação de melhora do crédito e à redução dos custos por perdas esperadas com inadimplência", resumiu o vice-presidente executivo do Bradesco Domingos Abreu, em teleconferência com jornalistas.

No primeiro quarto do ano, a carteira de crédito do segundo maior banco privado brasileiro cresceu 10,4 por cento em 12 meses, para 235,238 bilhões de reais, com destaque para o varejo, com expansão de 16,7 por cento no período.

O banco manteve a expectativa de ampliar a concessão de financiamentos em até 25 por cento em 2010, com foco nos segmentos de crédito consignado e para pequenas e médias empresas.

Ao mesmo tempo em que a demanda por empréstimos subiu, o banco viu seu índice de inadimplência, medida pelo saldo de operações vencidas com prazo superior a 90 dias, cair a 4,4 por cento, ante 4,9 por cento do final de dezembro, embora ainda acima dos 4,2 por cento de março de 2009.

Com isso, o Bradesco reduziu o volume de despesas com provisões para perdas esperadas para 2,188 bilhões de reais, uma queda de 18,8 por cento sobre dezembro e de 20,8 por cento em relação ao fim do primeiro trimestre do ano passado. Ainda assim, o índice de cobertura da carteira atingiu 180,8 por cento, o mais alto da série.

Essa combinação não apenas calibrou o lucro, como fez com que o retorno anualizado sobre patrimônio líquido, importante índice de rentabilidade dos bancos, ficasse em 22,2 por cento, ante 24,1 por cento um ano antes. E esse foi um dos itens mais comemorados por analistas.

"Classificamos a retomada da rentabilidade do banco como destaque positivo do resultado do trimestre", apontou a Ativa Corretora, em relatório.

A avaliação majoritariamente positiva de analistas sobre os resultados do período refletia-se na ação do Bradesco, que subia 0,49 por cento, a 30,90 reais, na bolsa paulista, enquanto o Ibovespa recuava 0,52 por cento, às 13h10.

E a expectativa do Bradesco é de que o cenário benigno de crédito se mantenha ao longo de 2010, mesmo diante da projeção de que o Banco Central comece ainda nesta quarta-feira um ciclo de alta da Selic, hoje no piso recorde de 8,75 por cento.

A visão do banco, disse Abreu, é que o impacto da alta do juro básico será limitado a algumas linhas, como a dirigida a empresas. Além disso, a previsão é que a inadimplência siga em descenso, até chegar à faixa de 4 por cento em dezembro.

SEGUROS E SERVIÇOS

O banco, que na véspera anunciou a criação de uma holding na área de cartões em parceria com o Banco do Brasil, viu suas receitas com serviços de janeiro a março ficarem em 3,124 bilhões de reais, estáveis ante o último trimestre de 2009 e uma expansão de 14,7 por cento na comparação com os três primeiros meses do último ano.

Em seguros, segmento responsável por um terço do resultado do Bradesco no primeiro trimestre, o lucro foi de 703 milhões de reais, um avanço de 8,2 por cento na comparação anual.

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