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28/04/2010 - 20h03

Ex-general venezuelano ataca presença cubana nas Forças Armadas

Por Patricia Rondon Espin

CARACAS (Reuters) - Um respeitado general venezuelano que se reformou neste mês disse que a presença de militares cubanos nos altos escalões das Forças Armadas da Venezuela é uma ameaça ao seu país, uma crítica que a oposição costuma fazer ao presidente Hugo Chávez.

Médicos, professores e treinadores desportivos cubanos chegam em grande número à Venezuela desde que Chávez assumiu o poder, 11 anos atrás, ajudando populações carentes, mas irritando críticos que temem a "cubanização" do país.

Em entrevista à Reuters na noite de terça-feira, o general Antonio Rivero disse que Chávez está remodelando o Exército nos moldes cubanos, e que consultores militares de Havana têm livre trânsito ao país desde 2007, inclusive com acesso a informações privilegiadas.

"Soldados cubanos têm induzido a atual transformação nas Forças Armadas", disse Rivero, que cogita disputar algum cargo nas eleições legislativas de setembro, como independente.

O general, que comandou os serviços de emergência do governo até 2008, é o segundo aliado de alto escalão a romper com Chávez nos últimos meses.

"Estamos colocando nas mãos de um aliado (Cuba) informações que nenhum país deveria saber", disse o general, que afirmou ter decidido se aposentar por causa dessas preocupações, após 25 anos de carreira. "No caso de um conflito armado, não sabemos de que lado Cuba estará."

Ele disse que havia presença cubana no Comando Operacional Estratégico da Venezuela, principal órgão de planejamento militar do país. Mesmo sem posição de comando, suas orientações muitas vezes contradiziam as ordens dos oficiais venezuelanos, acrescentou ele. "Uma coisa é aprender com eles, outra é receber instruções."

Chávez, ex-tenente-coronel paraquedista, liderou uma tentativa de golpe de Estado em 1992 e foi eleito presidente em 1998. Ele tem feito grandes investimentos na compra de equipamentos bélicos e na criação de uma força reservista, ou milícia, semelhante à que existe em Cuba.

O presidente diz que a ajuda cubana, paga com petróleo subsidiado, é de grande valia para a Venezuela, mas que o seu "socialismo do século 21" difere do modelo cubano, em parte por ser uma democracia multipartidária.

Assim como Chávez, Rivero esteve preso depois de participar de uma tentativa de golpe, também em 1992. Ele disse que apoia algumas iniciativas do chavismo, inclusive a modernização do Exército, mas acha que o presidente está cada vez mais autoritário.

"Este governo está se encaminhando para a implantação de uma autocracia que é praticamente irreversível", disse Rivero, que foi promovido a general por Chávez.

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