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04/05/2010 - 13h31

Bolívar provavelmente morreu envenenado, diz cientista dos EUA

Por Charlie Devereux

CARACAS (Reuters) - Um cientista norte-americano está apoiando uma teoria que até agora tinha sido em grande medida rejeitada, vista como obsessão pessoal do líder venezuelano Hugo Chávez: que o herói deste, Simon Bolívar, pode ter morrido envenenado com arsênico.

O presidente venezuelano esquerdista rejeita a versão tradicional segundo a qual Bolívar, um tático militar venezuelano brilhante que libertou boa parte da América do Sul de séculos de domínio da Espanha, teria morrido de tuberculose na Colômbia em 1830.

Agora Paul Auwaerter, da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, está dizendo que a morte de Bolívar provavelmente foi causada por arsênico -- ou pela ingestão de água contaminada ou pelo uso do veneno, que ocorre na natureza, para tentar curar dores de cabeça e hemorróidas.

Em uma conferência médica em Maryland na semana passada, Auwaerter disse que não exclui a possibilidade de assassinato, mas que a considera pouco provável.

Mas a cautela do cientista não impediu Chávez -- que dedicou sua "revolução socialista" à memória de Bolívar -- de interpretar a descoberta como prova de que Bolívar morreu assassinado.

"Há anos tenho no coração a convicção de que Bolívar não morreu de tuberculose", disse Chávez no fim de semana.

"E agora um cientista dos Estados Unidos vem dizer que tem provas... de que Bolívar morreu assassinado". acrescentou, ordenando a seu ministro do Exterior que entrasse em contato com Auwaerter.

O médico disse à Reuters que o governo venezuelano ainda não entrara em contato e que ele está preocupado com a possibilidade de sua pesquisa ser erroneamente interpretada.

"O que eu disse foi pego e usado para as finalidades políticas deles", disse Auwaerter em entrevista telefônica.

Em sua luta contra o "imperialismo ianque" de Washington, Chávez com frequência evoca Bolívar, que, em boa parte da América do Sul, é uma figura reverenciada que perde apenas para Jesus.

Quase todas as praças de cidades na Colômbia e Venezuela têm seu nome, como também é o caso do nome da Bolívia.

O governo de Chávez está realizando sua própria pesquisa sobre a morte de Bolívar, e este ano um laboratório forense público recém-inaugurado pretende fazer da morte do herói do século 19 o primeiro caso que vai investigar.

Chávez insiste que Bolívar foi assassinado por um rival político colombiano, Francisco de Santander, e alguns analistas avisam que o novo estudo do caso pode agravar as relações já tensas entre os dois países vizinhos.

Chávez já comparou o presidente colombiano Álvaro Uribe a Santander, que era amigo e aliado estreito de Bolívar até que os dois se desentenderam por questões de política e ideologia.

"Uribe é um dos filhos de Santander. Ele é da mesma linhagem", disse Chávez no ano passado, quando Uribe deu mais acesso a militares norte-americanos às bases militares colombianas. "Nós somos filhos de Bolívar e estamos nessa batalha", acrescentou o líder da Venezuela.

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