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05/05/2010 - 14h01

Europa alerta sobre contágio; Grécia vê violência

Por Renee Maltezou e Dave Graham

ATENAS/BERLIM (Reuters) - As autoridades econômicas da Europa alertaram nesta quarta-feira sobre o risco de "contágio" na zona do euro pela crise de dívida grega, enquanto os protestos em Atenas ficavam violentos e os investores corriam para a segurança do dólar.

Três pessoas morreram em um incêndio provocado por manifestantes na região central de Atenas, durante um protesto contra as medidas de austeridade adotadas pelo governo para garantir o pacote de resgate de 110 bilhões de euros da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Funcionários do setor público e privado fecharam aeroportos, atrações turísticas e serviços em uma greve geral. Dezenas de milhares de pessoas marcharam contra os aumentos de imposto e os cortes planejados a salários e aposentadorias.

Uma gigantesca coluna de fumaça pairava sobre a Avenida Stadiou, onde uma agência do banco Marfin pegava fogo. Centenas de manifestantes jogavam garrafas em policiais, que respondiam com gás lacrimogêneo.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse ao Parlamento em Berlim que o destino da Europa está em jogo na mais séria crise dos 11 anos de história da moeda única. Outros países da zona do euro podem ser afetados se o resgate à Grécia não tiver êxito.

O comissário de Assuntos Econômicos e Monetários europeu, Olli Rehn, disse que é vital impedir que a crise de espalhe para além da Grécia. "É absolutamente essencial conter o fogo na Grécia para que ele não se torne um incêndio e uma ameaça à estabilidade financeira da União Europeia e à sua economia como um todo", disse Rehn a jornalistas.

A ansiedade sobre a possibilidade de ampliação da crise mandou as bolsas de valores mundiais para baixo, e o euro atingiu uma nova mínima em um ano.

As ações dos bancos gregos caíram mais 5 por cento depois das notícias sobre as mortes nas manifestações --as primeiras fatalidades em três meses de greves e protestos de rua.

As bolsas de valores da Espanha e de Portugal, países vistos como os próximos dois alvos dos investidores para testar o poder da UE e sua capacidade de defender economias mais fracas do bloco, caíam pelo segundo dia consecutivo. Lisboa precisou pagar mais de quatro vezes os rendimentos anteriores para vender títulos da dívida em leilão nesta quarta-feira.

Merkel, culpada por muitos analistas de agravar a crise grega pela lentidão de suas decisões, disse ao Parlamento alemão que o sucesso do pacote de resgate determinará "nada menos que o futuro da Europa --e, com ele, o futuro da Alemanha na Europa."

Sem a assistência financeira, uma reação em cadeia ameaça desestabilizar o sistema financeiro europeu e internacional, disse ela em debate para aprovar a contribuição de 22 bilhões de euros de Berlim aos empréstimos a Atenas, apesar da hostilidade da opinião pública na Alemanha ao resgate.

VIGILANTE

O diretor-gerente do FMI reconheceu o risco de a crise de dívida se espalhar para outros países europeus, mas disse que não vê ameaça real aos grandes Estados da zona do euro, como Alemanha e França.

"Sempré há risco de contágio", disse Dominique Strauss-Kahn ao jornal francês Le Parisien. "Portugal foi mencionado, mas já está tomando medidas, e outros países estão em uma situação muito mais sólida... mas nós devemos continuar vigilantes."

Ele criticou os outros 15 governos da zona do euro por cobrar da Grécia taxa de juros de 5 por cento em empréstimos, em grande parte por insistência da Alemanha, dizendo que os países deveriam ter emprestado às mesmas taxas do FMI, mais de meio ponto percentual menor.

AUSTERIDADE GREGA

O temor de que o governo do Partido Socialista grego não consiga implementar todas as medidas de redução de déficit combinadas com a UE e o FMI por causa das agitações sociais é um dos indutores da turbulência da zona do euro.

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, apresentou um projeto de austeridade fiscal ao Parlamento na terça-feira que prevê 30 bilhões de euros em economias através de cortes profundos nos salários e pensões, além de uma alta de impostos. Mas a oposição conservadora prometeu votar contra, diminuindo as esperanças de um consenso político.

Analistas observavam nesta quarta-feira os protestos em busca de indícios sobre o grau de mobilização dos sindicatos da Grécia.

Até agora, as manifestações se limitaram a dezenas de milhares de pessoas, mas a pressão está crescendo, com pesquisas de opinião mostrando que a população acredita que está pegando pela crise enquanto a evasão de impostos e a corrupção permanecem impunes.

"Com nossa greve hoje nós estamos continuando nossa luta contra as agressivas e injustas medidas que afetam trabalhadores, pensionistas e desempregados", disse Yannios Panagopoulos, presidente do sindicato do setor privado GSEE, à Reuters.

(Reportagem adicional de Harry Papachristou e Lefteris Papadimas em Atenas, Jan Strupczewski em Bruxelas e Carolyn Cohn em Londres)

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