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05/05/2010 - 11h58

Protestos na Grécia contra austeridade deixam 3 mortos

Por Lefteris Papadimas e Renee Maltezou

ATENAS (Reuters) - Três pessoas morreram nesta quarta-feira num incêndio provocado por manifestantes durante uma passeata no centro de Atenas contra as medidas de austeridade do governo, segundo autoridades.

"Encontramos três pessoas mortas num edifício que está em chamas", disseram os bombeiros em nota.

A passeata até o Parlamento reuniu dezenas de milhares de pessoas, contrárias às propostas do governo para realizar cortes profundos no orçamento, em troca de um bilionário pacote de ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional.

Nos incidentes mais graves desde o início do atual governo socialista, em outubro, centenas de grevistas atiraram pedras, pedaços de mármore e garrafas na polícia, incendiaram lixeiras e tentaram repetidamente invadir o Parlamento, logo antes de os parlamentares iniciarem um debate sobre as medidas de arrocho fiscal.

A tropa de choque repeliu os manifestantes usando gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral. A fumaça tomou conta de vários quarteirões no centro da capital.

Aos gritos de "Assassinos" e "Queimem o Parlamento", jovens mascarados atiraram bombas incendiárias e quebraram vitrines, refletindo a indignação popular com os dolorosos cortes de salários e aposentadorias que o governo pretende fazer.

Na avenida Stadiou, no centro da capital, uma grande coluna de fumaça se erguia aos céus por causa de um incêndio em um prédio de dois andares onde funciona uma agência do banco Marfin. As autoridades dizem que dois outros edifícios centrais foram incendiados durante o protesto.

A polícia estimou que havia 27 mil pessoas na passeata, mas testemunhas afirmaram que havia pelo menos 40 mil -- de longe o maior protesto desde o início da crise da dívida grega, no final de 2009.

O funcionalismo público e privado realiza atualmente a sua terceira greve conjunta neste ano, o que paralisa voos, comércio e transportes públicos.

"Essas medidas são horríveis", disse a comerciante Maria Tzivara, de 54 anos. "Tenho medo de ser demitida ou que meu salário seja cortado. Vai ser muito duro."

O primeiro-ministro George Papandreou submeteu na terça-feira o programa de austeridade ao Parlamento, com a previsão de uma economia de 30 bilhões de euros (40 bilhões de dólares) resultante das reduções de salários e pensões e da elevação do IVA (imposto sobre mercadorias e serviços).

A oposição conservadora promete votar contra a lei, tornando mais improvável um consenso político nacional sobre as medidas. O governo, no entanto, tem ampla maioria parlamentar e deve aprovar o projeto nesta semana.

Até agora, as manifestações eram em geral pacíficas, e os incidentes de quarta-feira remetem aos distúrbios que sacudiram a Grécia em 2008, depois de um adolescente ser morto pela polícia.

(Reportagem adicional de George Georgiopoulos, Harry Papachristou e Ingrid Melander)

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