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06/05/2010 - 21h16

Conservadores vencem eleição britânica mas sem maioria--pesquisa

Por Keith Weir

LONDRES (Reuters) - Uma pesquisa de boca-de-urna divulgada após o fim de votação na quinta-feira na Grã-Bretanha indica que o partido conservador formou a maior bancada, porém sem maioria absoluta para constituir o governo -- é a primeira vez desde 1974 que o país terá um "parlamento suspenso", com a necessidade de uma coalizão.

A incerteza política preocupa os mercados financeiros, já que o processo de formação do governo pode adiar reformas destinadas a conter o déficit público e a dívida nacional.

A pesquisa, que ouviu 20 mil dos cerca de 45 milhões de eleitores, indica uma bancada de 307 conservadores, aquém dos 326 da maioria absoluta. Os trabalhistas ficariam com 255, e os liberal-democratas se limitariam a 59 deputados -- surpreendentemente quatro a menos do que a bancada atual, apesar da boa campanha feita por esse partido.

Pelas regras nesse tipo de impasse, o primeiro-ministro Gordon Brown, trabalhista, teria a primazia de tentar montar uma coalizão, mas analistas acham que o cenário mais provável será um governo minoritário liderado pelo conservador David Cameron.

"Cameron vai tentar aprovar programas de políticas públicas, demonstrar sua competência e então convocar uma segunda eleição neste outono ou na próxima primavera (boreais)", disse Mark Mark Wickham-Jones, professor de ciência política da Universidade de Bristol.

Esta campanha foi marcada por algo inédito na política britânica: uma série de três debates televisionados entre os principais candidatos a primeiro-ministro, algo comum em regimes presidencialistas. Os debates injetaram vibração na campanha e contribuíram com um elevado comparecimento às urnas.

Cameron passou anos à frente nas pesquisas, mas teve sua vantagem reduzida desde o começo do ano, já que o eleitorado aparentemente hesitou em aceitar as mudanças que ele prometia após 13 anos de governo trabalhista.

Brown, que substituiu Tony Blair como primeiro-ministro em 2007, teve uma breve lua de mel com o eleitorado, mas viu sua popularidade afinal ser atingida pelos efeitos da recessão e da desgastante guerra do Afeganistão.

A equação eleitoral ficou ainda mais complicada com a aparente ascensão do Partido Liberal-Democrata, depois do bom desempenho de seu líder Nick Clegg nas pesquisas.

LIBRA EM QUEDA

A libra sofreu na quinta-feira sua maior desvalorização diária desde outubro, refletindo a expectativa dos mercados com um parlamento "suspenso". Com a pesquisa dando a vitória aos conservadores, a moeda chegou a se valorizar frente ao dólar, mas caiu minutos depois.

Os conservadores prometem ser mais radicais e rápidos que os trabalhistas na redução do déficit público, superior a 11 por cento do PIB, e afirmam que seria possível economizar 6 bilhões de libras (9 bilhões de dólares) neste ano só com o aumento da eficiência do governo.

Os trabalhistas alertam que isso pode custar empregos e ameaçar a recuperação, mas analistas independentes dizem que a quantia é tímida em relação ao déficit total: 163 bilhões de libras (252 bilhões de dólares).

Entidades independentes acusam todos os partidos de não terem sido transparentes com o eleitorado a respeito da dimensão dos cortes que serão necessários para restaurar a ordem nas finanças públicas.

Nas últimas três eleições gerais, as pesquisas de boca-de-urna previram corretamente o resultado, mas nem sempre foram precisas. Em 1992, as pesquisas apontaram um parlamento "suspenso", mas os conservadores acabaram fazendo a maioria.

(Reportagem adicional de Estelle Shirbon, Mohammed Abbas, Keith Weir, Avril Ormsby, e Caroline Copley)

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