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06/05/2010 - 19h56

Em 1o debate, pré-candidatos defendem royalties sobre mineração

Por Natuza Nery

BELO HORIZONTE (Reuters) - No primeiro confronto direto desta campanha eleitoral, o pré-candidato tucano à sucessão deste ano, José Serra, defendeu cobranças mais altas de royalties sobre mineração para estimular investimento público. Suas adversárias do PT, Dilma Rousseff, e do PV, Marina Silva, concordaram com a ideia.

Os três estiveram frente-a-frente no debate inaugural desta pré-campanha. A ocasião foi o encontro de municípios mineiros, anfitrião do evento.

Um novo marco regulatório para o setor está entre as principais agendas de Minas, segundo maior colégio eleitoral do país e arena mais cobiçada desta eleição. O Estado reclama que os patamares cobrados pela exploração de minério ficam muito abaixo daqueles exigidos pela exploração de petróleo. O marco regulatório do pré-sal acabou fortalecendo essa demanda.

"Tem royalty de petróleo, tem que ter royalty também sobre minerais ligado a investimento", propôs o tucano.

"Concordo com você", respondeu Dilma.

Marina Silva não ficou atrás: "Sou favorável que o Estado possa gerar riqueza para o povo de Minas Gerais."

A tríade de quase presidenciáveis trocou cordialidades. O encontro serviu para que eles esquentassem as baterias desta campanha e calibrassem os discursos. Dilma desfilou os programas federais no Estado, mas foi vaiada quando disse que seu governo ajudou Minas na crise financeira internacional. Ao final de suas considerações, entretanto, ouviu um "Olê-Olê-Olê-Olá, Dilma, Dilma", jingle adaptado de campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Serra foi conciliador e distribuiu elogios, inclusive à ex-chefe da Casa Civil.

"Pode ser heresia. Eu vou querer no meu governo tanto o PT quanto o PV (em torno de projetos)." No final do debate, foi sua vez de ser constrangido. Foi recebido com vaias de um grupo de prefeitos quando disse que "os municípios podem mais, merecem mais e terão mais", numa variação a seu slogan de campanha "O Brasil Pode Mais".

Marina, sempre aplaudida, foi quem lançou o contraditório. Disse que o PSDB tentou governar sozinho e se tornou refém de setores do Democratas. Afirmou que o PT fez o mesmo e caiu nas mãos do "pior do PMDB". Tanto a primeira como a segunda aliança se reproduzem nestas eleições.

Ela também atacou aqueles que propuseram a criação da CPMF (PSDB), mas votaram contra a extensão do chamado imposto do cheque.

Houve muito tumulto no início do evento. Do lado de fora do auditório, professores ligados ao sindicato dos trabalhadores em educação (SindUTE) criaram confusão e foram reprimidos por seguranças e policiais, que lançaram diversas vezes spray de pimenta para dispersar as cerca de cem pessoas que gritavam palavras de ordem contra o ex-governador Aécio Neves e o governador atual de Minas, Antônio Anastasia, ambos do PSDB.

Quando Serra chegou, houve muito empurra-empurra. Algumas pessoas se machucaram.

REFORMA TRIBUTÁRIA

Dilma Rousseff propôs uma reforma tributária, a primeira medida econômica que empreenderia em seu governo caso eleita. Marina apoiou, mas disse que esta e outras reformas estruturantes caem sempre no que chamou de "consenso oco", quando todo mundo concorda, mas ninguém faz.

"O que tem que acabar no Brasil é o discurso de circunstância, a ética de circunstância. Temos que apostar na ética dos valores", disse a pré-candidata do PV, ovacionada na ocasião.

Já o tucano afirmou ser um especialista neste assunto, mas apontou várias dificuldades na condução da matéria. Propôs uma compensação para as perdas de repasse com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Não deu, porém, nenhuma fórmula de como faria.

A petista defendeu as desonerações feitas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para manter a atividade econômica durante a crise. Depois, destacou os feitos dos últimos sete anos.

"Quem em 2002 acreditaria que nós pagaríamos a dívida externa e seríamos credores internacionais?"

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